Haddad pede à “família Bolsonaro” que deixe o governo negociar com EUA
Ministro da Fazenda alega que atuação de bolsonaristas no exterior impede avanço de negociações sobre tarifaço
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira, 24, que a “família Bolsonaro” e os “seus apoiadores” estão obstruindo o canal de negociação entre o governo Lula e os Estados Unidos sobre o tarifaço de 50%.
“Quem está obstruindo esse canal é a família Bolsonaro e os seus apoiadores. Não é só a família Bolsonaro, por isso eu faço um apelo para as pessoas que tenham um apreço pela família Bolsonaro […] Vocês perderam a eleição, saiam do caminho e deixa o governo negociar, saiam do caminho para que a mesa seja reestabelecida”, disse.
“Para aqueles que têm vínculos com a extrema direita, vários governadores celebraram a eleição do Trump. Essas pessoas deveriam se mobilizar junto ao Bolsonaro, para que o Paulo Figueiredo, Eduardo [Bolsonaro], parem de militar contra o Brasil”, acrescentou.
Para Haddad, o governo já estaria sentado à “mesa de negociação” se não fosse a “interveniência desses personagens para impedir que essa negociação aconteça”.
“[…]Porque nós estamos disponíveis o tempo todo. Agora, precisa desobstruir esse canal”, afirmou.
O ministro comparou a atuação do deputado federal licenciado (PL-RJ), Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos ao episódio da Inconfidência Mineira.
“A batata quente está sendo assada por gente de dentro do país. É uma força política nacional que está instaurada em Washington neste momento. Isso nunca aconteceu no país. Acho que desde a Inconfidência Mineira… há quanto tempo não se vê um traidor?”, afirmou.
Leia mais: Eduardo Bolsonaro reclama de senadores que tentam negociar ‘tarifaço’
Eduardo Bolsonaro
Eduardo já afirmou, por algumas vezes, que nenhum outro político conseguiria negociar com a administração Trump sobre o ‘tarifaço’ sem antes pautar o projeto de lei de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e na tentativa de golpe de Estado.
Na terça, 22, o parlamentar divulgou uma nota pública com críticas à iniciativa de senadores de compor uma comitiva internacional:
“Essa iniciativa me parece seguir o padrão de sempre: políticos que visam adiar o enfrentamento dos problemas reais, vendendo a falsa ideia de uma “vitória diplomática” enquanto ignoram o cerne da questão institucional brasileira“, diz trecho.
“Reafirmo que não tenho qualquer vínculo com essa iniciativa parlamentar, fadada ao fracasso. Mas confesso até simpatizar com a ideia de que venham: não por acreditar que terão sucesso, mas porque poderão constatar que aquilo que eu e Paulo Figueiredo temos dito – não há sequer início de discussão sem anistia ampla, geral e irrestrita!“
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (3)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
25.07.2025 11:05Acho que ontem ficou bem claro o interesse de Trump: metais raros brasileiros, particularmente o nióbio e terras raras. Tarifaço, apoio à Bolsonaro, tudo isso é apenas cortina de fumaça. Trump bagunça o ambiente para depois "vender a solução". É o método dele de negociar. Mas Lula já percebeu que suas bravatas estão aumentadno sua popularidade junto ao nosso, tão carente de informações (e com pouca capacidade de entender), povo, então continuará bravateando e se ferrar o Brasil ele já tem para quem apontar o dedo.
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
25.07.2025 09:05Eu li direito ou ele chamou claramente os Inconfidentes de traidores? Ou foi um elogio em comparar Eduardo e Paulo Figueiredo a Tiradentes?
Carlos Renato Cardoso Da Costa
25.07.2025 06:11Cinismo desprezível.