Haddad não deu detalhes sobre alta do IOF, diz Gleisi
Ministra nega que tenha ocorrido reunião emergencial para tratar do assunto
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (foto), afirmou em entrevista ao programa “Conversa com Bial”, transmitida na madrugada desta quinta-feira, 29, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não deu detalhes sobre o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) durante reuniões internas do governo.
Segundo Gleisi, Haddad explicou as medidas para equilibrar as contas públicas, mencionou o IOF, mas não especificou “onde ia mexer” e disse que a mudança “era pequena”, passando de 2,39% para 3,5%.
A decisão, anunciada na semana passada, gerou reação negativa do mercado e levou o governo a recuar parcialmente da medida horas depois da divulgação do decreto.
Gleisi negou que tenha ocorrido reunião emergencial para tratar do assunto e afirmou que estava em encontro sobre inteligência artificial quando o problema começou a repercutir.
“Quando erra, paciência, recua, não tem problema”, disse a ministra.
No Congresso, o aumento do IOF motivou articulações para derrubar a medida, com partidos do Centrão defendendo a aprovação de projetos de decreto legislativo (PDLs). A decisão final deve ser tomada nesta quinta-feira, 29, em reunião do colégio de líderes.
“Nós fizemos uma reunião com a junta financeira durante a semana, e com o presidente. O ministro Haddad explicou as medidas [de ajuste de contas] e falou do IOF, mas ele não abriu detalhes de onde ia mexer. Ele disse, olha, a mudança é pequena e era mesmo ali”, afirmou Gleisi.
“O clima é para derrubada do decreto do IOF”
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta quinta-feira que informou ao governo Lula que “o clima é para derrubada do decreto do IOF na Câmara”.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com Motta e Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, para tentar convencê-los a não derrubar o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas o esforço foi em vão, como tinha antecipado O Antagonista.
Na perspectiva dos parlamentares, cabe ao governo Lula apresentar uma planilha estrutural de corte de gastos, algo que o Palácio do Planalto resiste em fazer. Tanto Alcolumbre quanto Motta reforçaram a Haddad que o Congresso tem os votos necessários para revogar a medida do governo.
“Ontem à noite me reuni, ao lado do presidente Davi Alcolumbre, com o ministro Fernando Haddad, a ministra Gleisi Hoffmann e líderes. Reforcei a insatisfação geral dos deputados com a proposta de aumento de imposto do gov federal. E relatei que o clima é para derrubada do decreto do IOF na Câmara”, disse Motta no X.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)