Gustavo Nogy na Crusoé: O país em que as notícias não envelhecem
Como denuncia o escritor Osman Lins, a vida do espírito é mesmo uma “guerra sem testemunhas”
Aproveitando que, na crônica passada, falei de Murilo Rubião, escritor fantástico em mais de um sentido, peço licença para apontar ao leitor desta Crusoé outra de minhas preferências, também ele desconhecido ou menos conhecido do que deveria: Osman Lins.
Antes de continuar, um acerto de contas.
A literatura brasileira tem certa fama – má fama – entre alguns críticos e muitos leitores: a de ser menor, se comparada à portuguesa; a de ser provinciana, se compara à estrangeira; a de ser mesquinha, se comparada à universal.
Eu mesmo, nuns tempos em que precisava afirmar rebeldia estética e fúria ideológica, defendi platitudes como essas.
Mudei de ideia. Hoje defendo que, se nossa literatura – ficção e poesia; também teatro – não é suficientemente reconhecida entre as grandes, isso se deve mais às circunstanciais restrições idiomáticas, geopolíticas e econômicas, que à suposta falta de méritos.
Porque os temos, e muitos. Basta ler com olhos descolonizados e, principalmente, ler o que nem sempre está na primeira prateleira do cânone (e o cânone é como o coração do Harold Bloom: sempre cabe mais um).
Sabemos do que e de quem trata o cânone escrito em português tropical: obras e autores reconhecidamente bons, grandes e influentes, cujos nomes se sabe de cor, como a escalação de times de futebol: Machado, Guimarães, Graciliano, Clarice, Drummond, Cabral, Gullar, e alguns outros que o leitor sabe quem são.
Mas o ouro muitas vezes se acha no que chamo de história não (muito bem) contada da literatura nacional. O lado bê do cânone.
Os artistas que ficaram longe do reconhecimento merecido: além de Rubião, mencionado na semana passada, Lucio Cardoso, Octavio de Faria, Adonias Filho, José J. Veiga, Murilo Rubião, João Antônio, Orides Fontela, Marques Rebelo, Autran Dourado, Luiz Vilela, Pedro Nava, Herberto Sales. E, naturalmente, Osman Lins.
Osman Lins foi ficcionista, roteirista e crítico cultural. Discreto e combativo, fazia da literatura uma ética e uma perspectiva.
Para ele, a ficção não era mimese…
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