Gustavo Nogy na Crusoé: Jaguar viveu por acaso
Uma das grandes sacadas da imprensa alternativa brasileira – a primeira entrevista d’O Pasquim – foi mérito (ou culpa) do cartunista
Dizem que no último domingo morreu um certo Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe – Jaguar, para os milhares de íntimos que viram crescer (ou cresceram com) o ratinho Sig; Boris, o homem-tronco; Gastão, o vomitador; o Doutor Carlinhos Bolkan e a Anta de Tênis.
Se me esqueci de alguém, não faz mal, porque ele também se esqueceria.
Tudo na vida de Jaguar foi por acaso – que tenha vivido tantos anos, apesar ou por causa de sua, digamos, filosofia etílica; que tenha se transformado num dos maiores cartunistas brasileiros, apesar de “não saber” desenhar; que tenha gerado, parido, batizado e, anos depois, velado e enterrado o semanário carioca publicado entre 1969 e 1991, junto a Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Prósperi e Claudius, adotado por e adotante de Paulo Francis, Sérgio Augusto, Millôr Fernandes, Ziraldo, Henfil, Ruy Castro e tantos outros.
Aliás, uma das grandes sacadas da imprensa alternativa brasileira – a primeira entrevista d’O Pasquim – foi mérito (ou culpa) do Jaguar.
Hoje, quando a gente lê aquelas longas e imprevisíveis conversas, até parece que foi ideia de gênio, mas foi de preguiçoso.
Para nossa sorte (azar deles), na correria do fechamento do primeiro número, coube a Jaguar transcrever as gravações.
Ele fez que nem o nariz, levou para a gráfica e mandou do jeito que estava.
Sem edição, revisão ou cortes. O que era para ser desastre virou slogan: “Tiramos o terno e a gravata das entrevistas”, diriam depois.
Que saudades desses acasos! Hoje, diante da polarização pré e pós-eleitoral, a burritzia que sazonalmente se acotovela para achar lugar no governo ou na oposição talvez fizesse cara feia ao anárquico hebdomadário.
Para a esquerda, ele seria muito de direita, politicamente incorreto, vulgar, machista, homofóbico, cínico; para a direita, ele seria muito de esquerda, politicamente correto, vulgar, feminista, gay, cínico.
Isso é sinal de que a turma mais acertou do que errou.
A verdade é que O Pasquim, entre erros e acertos, ações e omissões, crimes e castigos, pecados e perdões, foi tudo isso e mais um pouco, e é de tudo isso e mais um pouco que sentimos tanta falta.
Além das ideias frescas (algumas nem tão
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