Governo orientará base a assinar CPMI sobre Lulinha e Luchsinger, diz Guimarães
Deputado afirma que pedido da oposição não terá obstáculos e lembra desafio de Lula a Flávio Bolsonaro para abrir sigilos
O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta segunda-feira, 19, que o governo Lula (PT) orientará sua base parlamentar a assinar o requerimento de criação da CPMI proposta pela oposição para investigar possíveis irregularidades envolvendo o Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger.
Em publicação no X, Guimarães afirmou que o pedido “não encontrará qualquer obstáculo por parte do governo“ e justificou a posição com o compromisso do Planalto com a ética, a transparência e o combate à corrupção.
“O pedido de abertura de uma CPMI, da oposição, para investigar possíveis atos ilícitos em benefício de interesses privados, envolvendo Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva e eventuais agentes públicos, não encontrará qualquer obstáculo por parte do governo. O governo do Presidente Lula tem compromisso inarredável com a ética, com a transparência no exercício da Administração Pública e com o combate à corrupção. Por isso, vai orientar sua base a assinar o pedido de abertura da CPMI“, iniciou Guimarães.
“No último debate, na TV Bandeirantes, o próprio Presidente Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos bancário e telefônico dele e da sua família, e se colocou igualmente à disposição para que se faça o mesmo, caso o adversário aceite o desafio. Até agora, Flávio Bolsonaro não aceitou. Assim, a sociedade brasileira terá a oportunidade de verificar quem realmente tem conduta ética no exercício da função pública”, complementou.
A iniciativa da oposição
A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) buscam assinaturas para viabilizar a criação da Comissão da Parlamentar de Inquérito, que seria destinada a investigar suspeitas de tráfico de influência, corrupção, favorecimento indevido e outras práticas.
O requerimento foi apresentado no sábado, 17, por Coronel Fernanda, após Luchsinger relatar, em entrevista à CNN Brasil, supostos encontros do filho do presidente Lula (PT) com ministros do governo federal. Para o pedido poder ser protocolado, são necessárias as assinaturas de pelo menos 171 deputados federais e 27 senadores.
Conforme o documento, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito seria composta por 15 deputados e 15 senadores. O prazo de funcionamento do colegiado seria de 90 dias, podendo ser prorrogado. As despesas para os trabalhos foram orçadas em 100 mil reais.
“A recente divulgação de declarações públicas da empresária e lobista Roberta Luchsinger, em entrevista concedida à CNN Brasil em 17 de outubro de 2026, trouxe novos elementos que justificam o aprofundamento da fiscalização parlamentar sobre possíveis relações entre interesses privados e agentes da Administração Pública Federal“, afirma Fernanda no pedido.
“Na entrevista, Luchsinger afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria participado de encontros com ministros do governo federal e relatou sua própria participação em discussões relacionadas a políticas públicas, especialmente no setor de medicamentos à base de canabidiol”.
Ela prossegue: “A empresária também declarou que pretende colaborar com as investigações em curso. O objetivo desta Comissão não é presumir a prática de ilícitos por qualquer pessoa, mas apurar a existência de fatos, relações, atos administrativos e eventuais fluxos financeiros que possam indicar irregularidades na interlocução entre particulares e agentes públicos“.
Para a deputada, “as declarações ganham relevância diante das investigações sobre as irregularidades relacionadas ao INSS, nas quais Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva foram mencionados no contexto de apurações sobre suspeitas de tráfico de influência e outras condutas”.
Além disso, diz a congressista, é necessário esclarecer se houve reuniões, viagens, contatos institucionais ou privados e interlocuções entre particulares e integrantes do alto escalão do governo federal para discutir políticas públicas, programas governamentais, decisões regulatórias, contratos, autorizações, benefícios ou outras medidas administrativas.
E também verificar se esses contatos observaram as normas legais e os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência previstos na Constituição.
Assim como a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), uma CPMI tem poderes de investigação equiparados aos das autoridades judiciais, como determinar diligências, ouvir indiciados e inquirir testemunhas.
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