Governo Lula descarta reduzir tarifa sobre etanol dos EUA
Ministro diz que concessão no setor colocaria em risco a indústria sucroalcooleira do Nordeste
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira, 7, que o governo Lula segue negociando com os Estados Unidos para tentar evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Rosa revelou que as equipes técnicas dos dois países se reuniram nesta terça-FEIRA, e que o Brasil deve ter uma agenda com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
Rosa, no entanto, descartou que o governo brasileiro inclua nas negociações uma redução das tarifas aplicadas pelo Brasil sobre o etanol norte-americano. De acordo com o ministro, a medida representaria um “risco” para a região Nordeste, que possui forte presença da indústria sucroalcooleira.
A proposta de redução das tarifas sobre o etanol foi defendida pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em manifestação enviada ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Na avaliação de Flávio, a relação tarifária entre os dois países acerca do etanol e do açúcar é “assimétrica”.
O Brasil aplica tarifa de 18% sobre o etanol americano. Já os Estados Unidos aplicam uma alíquota de 2,5% sobre o etanol brasileiro.
Orientação de Lula
Rosa afirmou que Lula já orientou a equipe a deixar o etanol de fora nas mesas de negociação.
“Nunca [fazer concessões no etanol]. Ao contrário, o governo do Brasil, o presidente Lula defende claramente que esse tema do etanol não seja tratado nessa negociação e, mais, não seja tratado sem que nós tratemos da questão do açúcar, que é sobretaxado nos EUA”, afirmou o ministro.
“Esse é um setor muito importante, sobretudo no Nordeste do país. A produção do etanol e, eventualmente, a abertura do mercado do etanol norte-americano colocaria em risco, sobretudo, a produção do etanol no Nordeste do país”, acrescentou.
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