Governo deve pedir Centrão em casamento, diz Simone Tebet
Ex-ministra diz que partidos de centro perderam cadeiras no Congresso e precisam do Planalto para recuperar espaço e conter o bolsonarismo
A ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet afirmou nesta terça-feira, 27, que a perda de cadeiras no Congresso aproxima os partidos do Centrão do governo Lula. Em entrevista à GloboNews, ela disse que essas legendas dependem do Planalto para recuperar força depois da eleição deste ano, em que candidatos bolsonaristas ampliaram presença no Legislativo.
Maioria difícil no Congresso
Tebet reconheceu que o novo governo terá obstáculos para aprovar propostas na Câmara e no Senado. A ex-ministra comparou a situação com as gestões anteriores do petista.
“É verdade que temos adversidades, de todos os governos Lula, esse será o com maior número de oposição. Mas tem um detalhe, o fato do Centrão ter perdido força de tal forma, e ter encolhido a ponto de precisar do governo também para se reerguer, então eu acho que pode haver aí um casamento, com interesses diferentes”, disse.
O avanço bolsonarista no Congresso deve dificultar a formação de uma base de apoio ao presidente. Na avaliação de Tebet, o diálogo com o centro e a direita moderada pode garantir votos ao Planalto e reduzir a influência da oposição mais radical.
Fortalecer o centro para conter o bolsonarismo
A ex-ministra defendeu que o governo contribua para reerguer os partidos de centro. Segundo ela, o caminho para derrotar o bolsonarismo passa por essas siglas.
“A forma de nós realmente enterrarmos o bolsonarismo e extrema direita no país, é voltando a fortalecer e dando força aos partidos de centro, seja o MDB, PSDB, PSD, aqueles que a gente inclui como Centrão”, afirmou.
Tebet disse que o governo conhece esse raciocínio e que o apoio a esses partidos teria um efeito prático: “dar essa força a eles significa também ter governabilidade”.
Frente ampla e espaço fora do PT
Candidata ao Senado por São Paulo com apoio de Lula, Tebet terminou a disputa em terceiro lugar. Ela previu que o próximo mandato terá características diferentes dos anteriores.
“Eu acredito que vai ser um governo diferente em todos os aspectos, difícil, nós não teremos maioria, com todas as dificuldades econômicas, mas acho que virá um Lula 4 com uma frente ampla, valorizando os companheiros independente se for do PT ou não”, declarou.
Tebet disputou a Presidência em 2022 e, no segundo turno, passou a integrar a frente ampla que apoiou Lula contra Jair Bolsonaro. Depois, assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento e se tornou uma das principais representantes de partidos fora do PT na equipe. O governo, porém, concentrou petistas no Palácio do Planalto, o que foi alvo de críticas durante o mandato.
Sobre a passagem pela pasta, ela disse ter tido liberdade para levar discordâncias ao presidente, de forma reservada.
“Não precisava de chave ou bater na porta para entrar, eu sou muito discreta, então procurei fazer do meu jeito, fazer as críticas construtivas da forma mais discreta possível”, afirmou.
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Comentários (1)
Annie 40
27.10.2026 16:48Tebet virou um nada. Só resta se agarrar ao petismo mesmo