Governo de SP inaugura Linha 17-Ouro no Metrô
Monotrilho conecta o Aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária após mais de uma década de atraso; expansão prevê quatro novas estações
O governo de São Paulo inaugurou nesta terça-feira, 31, a Linha 17-Ouro do Metrô, monotrilho que interliga o Aeroporto de Congonhas à malha metroferroviária da capital paulista.
Com 6,7 quilômetros de extensão e investimento de R$ 5,97 bilhões, a linha conecta as Linhas 9-Esmeralda e 5-Lilás, e tem capacidade estimada para transportar 100 mil passageiros por dia, quando atingir a operação em tempo integral, prevista para outubro de 2025.
Originalmente prometida para 2014, ano em que o Brasil sediou a Copa do Mundo, a obra ficou paralisada por anos. As atividades foram retomadas em setembro de 2023, já na gestão do governador Tarcísio de Freitas.
Operação começa de forma limitada
Na fase inicial, a linha funcionará apenas de segunda a sexta-feira, entre 10h e 15h. Dois trens farão o percurso em sistema shuttle — cada composição percorre o trajeto de ida e volta pela mesma via —, com intervalo médio entre 7 e 14 minutos. Por causa da cerimônia de abertura, o serviço ao público ocorreu das 16h às 20h.
O trajeto contempla sete das oito estações previstas: Morumbi, Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo, Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas. A estação Washington Luís ficará fora de operação na etapa inicial, pois sua ativação exige o uso de uma bifurcação da linha e aumentaria o tempo de espera. A previsão é incorporá-la ao serviço em junho, com a chegada de novos trens.
A operação plena, das 4h40 à meia-noite, depende da regularização gradual da frota e dos sistemas de controle.
Frota tecnológica e expansão autorizada
Os 14 trens da linha foram fabricados na China e representam um investimento de R$ 989 milhões. Cada composição é formada por cinco carros articulados, com capacidade para 616 passageiros, ar-condicionado, iluminação em LED, câmeras de monitoramento e baterias embarcadas que permitem a movimentação do veículo mesmo sem fornecimento de energia elétrica. O sistema opera sem condutor, com controle automatizado por sinalização CBTC (sigla em inglês para Controle de Trem por Comunicação).
Na cerimônia de inauguração, Tarcísio de Freitas autorizou a extensão da linha por mais 4,6 quilômetros, com quatro novas estações: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis. Esta última marcará a primeira conexão de uma das maiores comunidades da cidade ao transporte sobre trilhos. O prolongamento também vai integrar a Linha 17-Ouro à Linha 4-Amarela.
“Concluímos a obra para dar outros passos, com firmeza e responsabilidade. Autorizamos hoje o projeto de extensão para mais quilômetros de linha 17, que leva o metrô a Paraisópolis e conecta a Linha 4-Amarela”, afirmou o governador durante o evento.
Impacto ambiental e urbano
O sistema elétrico do monotrilho deve reduzir as emissões de poluentes e gases de efeito estufa em 25.937 toneladas por ano. A estimativa do governo estadual é que o novo eixo de transporte contribua para uma economia de 11,7 milhões de litros de combustível anualmente, com reflexo na circulação viária da zona sul da capital.
As estações contam com elevadores, escadas rolantes, pisos táteis, sanitários adaptados e espaços para bicicletas, com integração a ciclovias existentes. Nos acessos, há pontos para embarque e desembarque de táxis e aplicativos de transporte.
O traçado pelo canteiro central da Avenida Roberto Marinho, via de grande fluxo na zona sul, reduziu a necessidade de desapropriações em comparação com linhas subterrâneas ou em nível.
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