Governo brasileiro e parlamentares lamentam morte de Pepe Mujica
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), também se manifestou sobre o falecimento do ex-presidente do Uruguai
O governo federal e congressistas lamentaram, nesta terça-feira, 13, a morte do ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica. Ele morreu hoje, aos 89 anos. Em nota, o Itamaraty disse que o governo brasileiro tomou conhecimento “com profundo pesar“ do falecimento.
“Grande amigo do Brasil, o ex-Presidente Mujica foi um entusiasta do Mercosul, da Unasul e da Celac, um dos principais artífices da integração da América do Sul e da América Latina e, sobretudo, um dos mais importantes humanistas de nossa época. Seu compromisso com a construção de uma ordem internacional mais justa, democrática e solidária constitui exemplo para todos e todas”, acrescenta o ministério.
O Itamaraty relembra que, em 5 de dezembro de 2024, em visita a Montevidéu, o presidente Lula (PT) condecorou Mujica com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração oferecida pelo Brasil a cidadãos estrangeiros, e se referiu ao político como “a pessoa mais extraordinária” entre os presidente com quem conviveu.
“O legado de ‘Pepe’ Mujica permanecerá, guiando todas e todos aqueles que genuinamente acreditam na integração de nossa região como caminho incontornável para o desenvolvimento e na nossa capacidade de construir um mundo melhor para as futuras gerações”, prossegue o Itamaraty.
Repercussão
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), escreveu no X (antigo Twitter) que recebeu “com tristeza a notícia” da morte. “No campo da boa política, ele sempre foi uma referência de diálogo e equilíbrio. Fica o exemplo de simplicidade, humanidade, honestidade e preocupação com o próximo”, complementou.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), disse que recebeu “com pesar” a notícia. “Sua trajetória pública foi marcada por desafios pessoais e institucionais, e por um estilo de liderança que valorizava a coerência, a simplicidade e o compromisso com o serviço ao país“, pontuou o senador. Ele manifestou solidariedade ao povo uruguaio.
A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) afirmou que Mujica foi “um líder uruguaio raro, que fez da política um ato de humildade, coragem e amor pelo povo”. “Mostrou ao mundo que é possível governar com ética, simplicidade e coerência. Viveu como pensava – e isso já é uma forma de revolução. Que sua história siga nos inspirando a lutar por uma política mais humana e verdadeira”, acrescentou.
Já o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), disse que Mujica “nos deixou, mas seu exemplo permanece”. “Um líder que provou ao mundo que é possível fazer política com simplicidade, coerência e compromisso com os que mais precisam. Como ele disse: os homens passam, as causam permanecem. Mujica foi gigante por suas ideias e por sua entrega ao povo. Seguiremos sua luta por um mundo mais justo, igualitário e sustentável. Descanse em paz, Pepe!”.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), também se manifestou. “Pepe Mujica nunca precisou de pompa para ser grande. Viveu com simplicidade, falou com firmeza e governou com espírito de conciliação. Em tempos de extremos, foi ponte. O Rio Grande do Sul se despede com respeito de um vizinho que fez da política um gesto de humanidade“, escreveu no X (antigo Twitter).
Quem foi Pepe Mujica?
José Alberto Mujica Cordano, Pepe Mujica, nasceu em Montevidéu, em 20 de maio de 1935. Descendente de bascos e de italianos, filho de pequenos agricultores.
Em 1962 criou um grupo chamado União Nacional, que trabalhava junto ao Partido Socialista. Em seguida, ingressou no Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros -, que desenvolvia ações militares.
Foi preso quatro vezes e fugiu duas vezes do Presídio de Punta Carretas. No total, passou quase 15 anos na prisão, 11 dos quais num calabouço, como refém da ditadura. Saiu da prisão graças à anistia decretada em 1985.
Foi eleito deputado em 1994 e senador, em 1999. Em 2004, o seu grupo tornou-se majoritário dentro da Frente Ampla. Em 2005, foi designado ministro da Agricultura do governo Tabaré Vázquez.
Mujica foi eleito presidente em segundo turno em outubro de 2009, e tomou posse em março de 2010.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)