Gleisi quer declarar conselheiro de Trump “persona non grata” no Brasil
Paolo Zampolli chamou as mulheres brasileiras de "raça maldita" em entrevista, ao falar de acusação de violência doméstica
A deputada federal e pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT-PR), protocolou nesta segunda-feira, 27, projetos para que Paolo Zampolli, enviado especial do governo dos Estados Unidos para Negócios Globais, seja declarado “persona non grata” (pessoa não bem-vinda) no Brasil e na Câmara dos Deputados.
O motivo são declarações dele sobre as mulheres brasileiras. Ele as chamou de “raça maldita” em entrevista à emissora italiana RAI, ao falar das acusações de abuso sexual e violência doméstica, feitas por Amanda Ungaro, ex-modelo com quem foi casado por cerca de 20 anos. Zampolli também afirmou que as brasileiras seriam “programadas” para “causar confusão com todo mundo”.
Um projeto de lei apresentado pela petista diz que “fica declarado persona non grata em todo o território nacional o senhor Paolo Zampolli, em razão de manifestações públicas de caráter discriminatório, misógino e ofensivo à dignidade das mulheres brasileiras e do povo brasileiro“.
Segundo o texto, a declaração prevista “implica o reconhecimento, pelo Estado brasileiro, da incompatibilidade da presença do referido cidadão estrangeiro no território nacional com os princípios da dignidade da pessoa humana, da igualdade, da não discriminação, da soberania nacional e do respeito ao povo brasileiro”.
O Executivo federal adotaria as providências cabíveis para impedir o ingresso, a permanência ou o exercício de atividade oficial de Zampolli no Brasil.
Já um projeto de resolução apresentado por Gleisi declara o enviado especial do governo americano “persona non grata” no âmbito da Câmara dos Deputados. Pelo texto, a Casa ainda manifesta repúdio formal às declarações de Zampolli sobre as brasileiras e recomenda ao Itamaraty que adote as providências diplomáticas cabíveis, inclusive a convocação de representante diplomático competente para prestar esclarecimentos.
“A liberdade de expressão não protege insultos discriminatórios, ataques à dignidade coletiva, ofensas de caráter misógino ou manifestações que reduzam mulheres brasileiras a estereótipos humilhantes. Quando tais declarações partem de pessoa vinculada a ambiente político estrangeiro, a ofensa ultrapassa o campo da ‘opinião’ individual e assume dimensão diplomática, política e nacional”, afirma Gleisi.
“O Brasil é uma República soberana, fundada na dignidade da pessoa humana, na igualdade, na prevalência dos direitos humanos e no repúdio ao racismo e a todas as formas de discriminação. A presença, em território nacional, de cidadão estrangeiro que agride publicamente a dignidade das brasileiras mostra-se incompatível com esses fundamentos constitucionais”, acrescenta.
Tanto o projeto de lei como o projeto de resolução aguardam a Mesa Diretora da Câmara definir por quais comissões vão tramitar.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)