Gilmar desconversa sobre motivos para ‘mea culpa’ do STF
Decano do tribunal rejeita as críticas por ativismo judicial sob o eufemismo de "postura proativa" ao fazer balanço sobre os últimos 25 anos da Corte
Ministro mais antigo do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes (foto) fez um balanço sobre os últimos 25 anos da Corte a pedido do jornal Valor.
O decano falou sobre aborto de anencéfalos, pandemia de covid, a criação da TV Justiça e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas desconversou, nas palavras do jornal, quando questionado se havia motivo para o STF assumir alguma culpa nas últimas décadas.
“Questionado se o Tribunal tinha alguma ‘mea culpa’ a fazer sobre a atuação nos últimos 25 anos, o ministro pensa um minuto e desconversa. Ele refuta, por exemplo, as críticas de que há um ‘ativismo judicial’ por parte do STF. Para o ministro, a Suprema Corte brasileira tem mais competências do que tribunais congêneres de outras partes do mundo. ‘Ele controla não só a constitucionalidade de leis, mas também da omissão’, explica. ‘Há instrumentos, como a ADPF, que hoje é muito utilizada, para fazer controles de atos que não são leis’, complementa. ‘Portanto, eu não chamaria de ativismo. Talvez uma postura proativa do Tribunal é demandada pela própria Constituição”, diz a reportagem do Valor.
Ativismo
Enquanto Gilmar rejeita as críticas por ativismo judicial sob o eufemismo de “postura proativa“, Flávio Dino, seu colega mais recente de STF, defende o ativismo judicial abertamente sempre que tem a oportunidade.
“Essa é uma marca do nosso tempo, que veio para ficar. Essa ideia de alto protagonismo, que não pode significar protagonismo total, mas esse alto protagonismo do poder Judiciário no Brasil é algo que veio para ficar“, disse em palestra recente o ministro com “cabeça política” indicado por Lula.
Leia mais: Dino contra as “máquinas produtoras de angústia”
Lava Jato
Foi a partir de uma “leitura política” de Gilmar, admitida por ele mesmo em entrevista ao próprio Valor em março de 2024, que a Operação Lava Jato começou a ser desmontada.
Há muito mais motivos para o STF fazer mea culpa, como o interminável inquérito das fake news, mas Gilmar reconheceu apenas que a questão dos supersalários do Judiciário “precisa ser enfrentada”, e, ainda assim, disse que o problema não é o Supremo:
“Hoje em dia há uma crítica generalizada, que recai sobre o Supremo, mas não é esta Corte que é o problema. Então, é uma questão que está aí e precisará ser enfrentada”.
Nas últimas semanas, ecos da maior operação de combate à corrupção da história do Brasil surgiram para lembrar que as condenações da Lava Jato não foram derrubadas pelo STF exatamente por falta de provas, como alegam os condenados e seus apoiadores, mas por conveniências políticas de Brasília, como detalha a reportagem de capa da edição desta semana de Crusoé.
Assine Crusoé e leia mais: A Lava Jato não morreu
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
06.05.2025 19:31Eca!