Gilmar chama Gonet de “homem honrado” e critica “ataques rasteiros”
Ministro elogia decisão do Conselho do MPF e diz que vazamentos no caso Master causaram dano à reputação do procurador-geral
O ministro Gilmar Mendes (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste sábado, 26, que o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) confirmou a “lisura” do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso do Banco Master.
Como noticiamos, o órgão rejeitou por 5 votos a 4 a abertura de investigação sobre Gonet e, por unanimidade, decidiu não afastá-lo dos processos relacionados ao banco.
Em publicação no X, Gilmar chamou Gonet de “homem honrado” e criticou os “ataques rasteiros” contra o PGR.
“A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, ontem, confirma o que já se sabia. Nada havia que impedisse o Procurador-Geral de seguir atuando nos processos do Banco Master, muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público. Antes disso, o próprio relator já havia reconhecido em Plenário a fragilidade das insinuações. Tarde demais, e com uma tranquilidade desconcertante diante da qual não me calei. Levanta-se o sigilo, submete-se a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais e, só então, reconhece-se que nada de grave havia naquelas conversas.”
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Crítica aos vazamentos
Gilmar criticou a divulgação de informações que estavam sob sigilo e disse que a medida prejudicou a imagem de Gonet.
“Reparo tíbio e conveniente para quem causou o dano, mas inútil para quem carrega suas consequências. O sigilo já havia sido levantado e as manchetes já haviam circulado. O dano reputacional já estava consumado. O que fica é um retrato sem filtro de vazamentos seletivos, em um inquérito que, curiosamente, ganhou tração conforme avançava o ciclo eleitoral.”
As mensagens que colocaram Gonet no centro do caso foram extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O procurador-geral também apareceu em uma fotografia ao lado de Vorcaro em um evento em Londres, em 2024.
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Afastamento na PF
Gilmar também criticou o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por decisão do ministro André Mendonça.
“O episódio se soma ao afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, por decisão individual. Medida desproporcional, de efeitos institucionais imprevisíveis, que desarticulou, ainda que por breve período, o comando do órgão responsável pela segurança das nossas fronteiras e pela repressão a crimes graves de caráter transnacional. Sua pronta reversão evitou dano maior.”
Para o ministro, os dois episódios expõem um problema comum:
“São episódios diferentes, mas que lançam luz sobre o mesmo problema. Decisões individuais de enorme alcance, tomadas de afogadilho na fase de investigação, cujos efeitos sobre reputações e sobre instituições são irreparáveis. Tudo isso reforça a posição que já defendi quanto à necessidade de que a figura do juiz de garantias também possa valer para o Supremo Tribunal Federal.”
Ao final, Gilmar voltou a defender Gonet.
“A Paulo Gonet, reafirmo minha solidariedade. A decisão de ontem apenas confirmou a lisura de um homem íntegro, que dedicou a vida ao país e às instituições. Registro também minha solidariedade ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, delegado de carreira com mais de 20 anos de serviços prestados ao país na área de segurança pública.”
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