Gaspar pede suspensão de parlamentares que o acusaram de estupro
Relator da comissão acionou a Corregedoria da Câmara contra quatro parlamentares que o acusaram de crime sexual durante sessão da comissão
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPI do INSS, protocolou nesta terça-feira, 31, representação na Corregedoria Parlamentar da Câmara dos Deputados pedindo a suspensão cautelar dos mandatos de quatro parlamentares que o acusaram de estupro ou reproduziram a denúncia.
Os alvos da medida são os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), Rogério Correia (PT-MG) e Erika Kokay (PT-DF), além da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).
Gaspar também encaminhou ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos e realizar exame de DNA. No documento, pediu celeridade nas apurações.
A acusação e o tumulto na CPI
O episódio teve origem na sessão de 27 de março, durante a leitura do relatório final da comissão. O documento, elaborado por Gaspar, propunha o indiciamento de mais de 200 pessoas — entre elas Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
No calor da sessão, Lindbergh Farias chamou o relator de “estuprador”. Gaspar respondeu chamando o petista de “corrupto” e “ladrão”. A troca de acusações gerou tumulto e interrompeu os trabalhos da comissão.
No mesmo dia, ao final da tarde, Lindbergh e Soraya convocaram entrevista coletiva e anunciaram que haviam protocolado notícia de fato na Polícia Federal. Os dois acusam Gaspar de ter abusado sexualmente, oito anos atrás, de uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado. A suposta vítima teria hoje 21 anos, e a criança, 8.
A denúncia inclui ainda a alegação de que um intermediário ligado ao deputado teria tentado silenciar a família da vítima mediante pagamentos de R$ 70 mil e R$ 400 mil.
A defesa do relator
Gaspar nega as acusações e afirma que o caso se refere a um primo seu, Maurício César Brêda Filho, que teria mantido um relacionamento com uma mulher quando ainda era adolescente. A equipe do deputado apresentou um exame de DNA realizado em novembro de 2014 apontando a paternidade do primo.
A mulher identificada como filha da suposta vítima gravou um vídeo em que nega qualquer relação com o parlamentar: “Ressalto que não sou fruto de estupro algum, nem conheço pessoalmente o Alfredo Gaspar. É muito triste comparar, por eles serem primos e terem o mesmo sobrenome, uma história descabida”.
Gaspar já havia protocolado representação na Comissão de Ética da Câmara contra Lindbergh e Soraya por quebra de decoro parlamentar. Em nota divulgada nesta terça-feira, o deputado afirmou: “Sigo com a coluna moral ereta e confiante na justiça de Deus e dos homens, esperando uma célere apuração dos fatos”.
O parlamentar disse ainda aguardar, ao término das investigações, “a cassação dos mandatos dos parlamentares já referidos e a posterior prisão de ambos como forma de justiça”.
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