Funkeiro MC Ryan é transferido para interior de SP
Depois de duas semanas preso, cantor vai para Mirandópolis; ele é apontado como líder de esquema que movimentou R$ 1,6 bi em dois anos
O cantor MC Ryan SP, de 25 anos, foi removido nesta sexta-feira, dia 1º de maio, de uma unidade de detenção provisória na capital paulista para uma penitenciária no interior do estado, em Mirandópolis. A Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal, aponta Ryan como líder de uma organização financeira ilegal responsável por movimentar R$ 1,6 bilhão ao longo de dois anos — com origem em tráfico de drogas, apostas clandestinas e rifas ilegais.
O esquema e o papel do artista
De acordo com as autoridades, o grupo utilizava empresas do setor de entretenimento e produção musical para integrar à economia formal recursos de procedência ilícita. O mecanismo envolvia a chamada “instrumentalização de pessoas físicas”: os artistas recebiam os valores como se fossem pagamentos por publicidade, diluindo a origem do dinheiro.
Para dificultar o rastreamento, a organização realizava centenas de transferências de pequenos valores — prática denominada smurfing — e operava por meio de processadoras de pagamento legalmente constituídas. No exterior, o grupo recorria à criptomoeda Tether para remessas internacionais e ocultação de patrimônio.
Segundo a investigação, Ryan também teria adotado estratégias de blindagem patrimonial, repassando cotas societárias a familiares e a terceiros, além de aplicar os recursos em imóveis, veículos de luxo e joias.
Outros alvos e lógica da escolha dos artistas
Além do cantor, as apurações envolvem MC Poze do Rodo, o empresário Chrys Dias — descrito pelos investigadores como “financiador relevante” da estrutura — e Raphael Sousa, identificado como operador de mídia da organização. Dos 37 alvos listados pela Polícia Federal, 33 foram presos até o momento.
O delegado regional Marcelo Maceiras explicou a razão pela qual personalidades públicas foram inseridas no esquema: “Essas pessoas públicas, com muitos seguidores, conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos. Por isso, são muito úteis e recrutáveis por essas organizações”.
A Operação Narco Fluxo é desdobramento de duas ações anteriores — Narcobet, de fins de 2025, e Narcovela, de abril do mesmo ano —, cujas investigações tiveram início após a apreensão de entorpecentes em um veleiro, em 2023.
A defesa do artista informou, em nota divulgada após a prisão, não ter tido acesso aos autos, que tramitam sob sigilo, e declarou estar impossibilitada de apresentar manifestação específica até obter as informações processuais.
A reportagem procurou os representantes legais de Ryan, mas não obteve retorno.
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