Fundação FHC a Dilma: “Na história, não se constrói nada do zero”
Fundação do ex-presidente diz que a petista esqueceu de mencionar a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos, criada em 1995, ao celebrar 'Ainda Estou Aqui'
O filme Ainda Estou Aqui segue motivando embates políticos após ganhar o primeiro Oscar de uma produção brasileira. Depois de a ex-presidente Dilma Rousseff chamar atenção para a Comissão Nacional da Verdade, criada em seu governo, ao celebrar o prêmio, a Fundação FHC rebateu.
“É motivo de orgulho saber que a história de Rubens Paiva e de sua família — especialmente a busca incansável de Eunice Paiva pela verdade e pela justiça — pôde ser contada graças ao trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que criei durante meu governo para investigar os crimes da ditadura”, disse Dilma em postagem em seu perfil no X.
A fundação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez um reparo ao discurso da petista em postagens na mesma rede.
Junto o reparo foi publicada uma foto em que aparecem o general Alberto Mendes Cardoso (à esquerda na foto), que foi ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República durante os dois mandatos de FHC (ao centro na foto), o tucano e Eunice Paiva (à direita na foto), viúva de Rubens Paiva, cuja história é retratada no filme, durante a assinatura do Projeto de Lei sobre os desaparecidos políticos da ditadura militar, em 28 de agosto de 1995.
O que Dilma esqueceu?
“A ex-presidente Dilma tem razão em ressaltar a importância da Comissão da Verdade, criada em seu governo, para a revelação de violações de direitos humanos durante a ditadura militar. Compartilhamos com ela e milhões de brasileiros a alegria pelo merecido reconhecimento internacional do filme “Ainda Estou Aqui”, que conta a história do sequestro, tortura, assassinato e ocultação do cadáver de Rubens Paiva”, começa a mensagem, que segue:
“A ex-presidente, porém, deixa de mencionar que, antes da Comissão da Verdade, houve a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos, criada em 1995 pelo ex-presidente FHC, o primeiro a reconhecer as violações de direitos humanos cometidas pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar. Em 1996, foi emitida a certidão de óbito de Rubens Paiva, oficializando o seu ‘desaparecimento’.”
A nota da fundação, que sugere a leitura do artigo “Um ajuste de contas com a história”, da série “FHC: Ação Política”, termina assim:
“A Comissão da Verdade permitiu que, por decisão do CNJ, em dezembro de 2024, da certidão de óbito passasse a constar referência às circunstâncias “violentas, causadas pelo Estado brasileiro” que levaram à morte do ex-deputado. Na história, não se constrói nada do zero.”
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Comentários (1)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
05.03.2025 23:33O próprio FHC citou em 2003 que o PT (e por extensão, os petistas) é "uma galinha que cacareja sobre ovos alheios".