Funcionário público confessa ataques a ônibus na Grande São Paulo
Edson Aparecido Campolongo é relacionado a 19 casos; o irmão dele também é procurado por atos de vandalismo contra ônibus
O funcionário público Edson Aparecido Campolongo, preso na terça-feira, 22, confessou a autoria de pelo menos 19 ataques a ônibus na Grande São Paulo.
“As equipes conseguiram identificar o principal suspeito depois de cruzar as informações do carro usado por ele com imagens de câmeras de segurança e do sinal de celular. Com isso, conseguimos colocá-lo em pelo menos 19 casos”, disse o secretário-executivo da Secretaria da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, durante coletiva de imprensa.
O irmão dele, Sérgio Aparecido Campolongo, também teve prisão preventiva decretada pela Justiça por ter participado de pelo menos dois atos de vandalismo. Por enquanto, ele ainda não identificado.
“Essa informação [do envolvimento do irmão] chegou hoje após o segundo interrogatório do suspeito na presença dos advogados”, disse o delegado Domingos de Paula Neto, da Seccional de São Bernardo do Campo.
A motivação
Na coletiva, Osvaldo Nico Gonçalves afirmou que Edson alegou o ‘conserto do Brasil’ como motivação para os crimes.
O secretário-executivo, no entanto, disse não acreditar na história.
Edson é suspeito de recrutar pessoas para fazer os ataques.
“Acredito que ele arregimenta [organiza] outras pessoas para realizar os ataques. Mas ainda estamos no início da investigação”, afirmou Osvaldo Nico Gonçalves.
Investigação
A Polícia Civil trabalha com três linhas de investigação: ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), desafios de internet e empresas ou pessoas que atuam com transporte urbano coletivo.
Policiais do Deic contaram à TV Globo que a disputa entre empresas é, por enquanto, a principal delas, embora reconheça que houve um efeito de “contaminação” na depredação dos ônibus.
Além dos gastos com manutenção, as empresas cujos ônibus são atacados recebem multas da prefeitura pelo tempo de não circulação dos veículos.
Desde 1º de junho, mais de 800 ataques a ônibus foram registrados em 27 cidades.
O Deic aponta que 80% dos casos ocorreram nas zonas Sul e Oeste da cidade de São Paulo.
Demora
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reconheceu na segunda-feira, 14, a demora na investigação sobre a onda de ataques a ônibus na capital paulista.
“Está demorando [a elucidação da onda de ataques], eu reconheço. Reconheço. Até faço aqui uma crítica à Polícia Civil. Porque, quando a gente tem que elogiar, tem que elogiar, mas também quando tem que criticar, tem que criticar. Está demorando, mas a certeza que a gente tem é que a Polícia Civil vai chegar numa conclusão de identificar quem são essas pessoas e à punição”, disse o prefeito em entrevista à Globonews.
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