Flávio e Jair Bolsonaro podem entrar em inquérito do STF?
Deputado petista aciona Supremo e PF para ampliar investigação sobre suposto financiamento de operação política nos EUA
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) formalizou na quinta-feira, 14, pedidos ao Supremo Tribunal Federal e à Polícia Federal para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sejam incluídos nas apurações que já miram o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suposta coação e obstrução à Justiça.
A iniciativa amplia o alcance de uma investigação que gira em torno de recursos obtidos junto ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu possível destino a uma estrutura de apoio político da família no exterior.
A suspeita sobre o dinheiro
Segundo informações apuradas pelo jornal, Flávio Bolsonaro confirmou ter negociado com Vorcaro o patrocínio de um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, intitulado ‘Dark Horse’. O senador, porém, nega irregularidades: “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, declarou em nota.
A versão de Flávio, no entanto, encontra contradição nos fatos levantados na investigação. O produtor-executivo do filme, o deputado Mario Frias (PL-SP), afirmou que Vorcaro não chegou a aportar recursos na produção.
Para Lindbergh, isso levanta a questão sobre o destino real dos valores: “É indispensável seguir o dinheiro para identificar quem recebeu, quem intermediou, para onde os valores foram enviados e se houve uso desses recursos na campanha internacional de Eduardo Bolsonaro por sanções, restrições de vistos, pressões diplomáticas e tarifas contra o Brasil”.
O inquérito e os próximos passos
O inquérito no STF é conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes e foi aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República. Eduardo Bolsonaro, que vive em autoexílio nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, responde por coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O PGR Paulo Gonet já requereu sua condenação.
Lindbergh pede ao Supremo o compartilhamento de provas entre as investigações, a preservação de mensagens, contratos, áudios e metadados, além da apuração de possível lavagem de dinheiro e financiamento político irregular.
O parlamentar solicita ainda medidas cautelares contra Flávio, como bloqueio de bens, proibição de saída do país e apreensão de passaporte. Cabe ao ministro Moraes avaliar se os dois novos nomes serão formalmente incorporados ao inquérito.
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