Flávio cobrado e alívio em pesquisa: os bastidores da reunião do PL
Durante a conversa parlamentares pediram para que senador colocasse “as cartas na mesa" para evitar novas surpresas
Integrantes do PL cobraram do senador Flávio Bolsonaro, durante reunião da bancada realizada na manhã desta terça-feira, 19, esclarecimentos sobre possíveis novos episódios que possam afetar sua pré-campanha à Presidência da República em 2026.
Segundo relatos obtidos por O Antagonista, parlamentares pediram mais de uma vez que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro “colocasse todas as cartas na mesa” sobre fatos ainda desconhecidos pela direção do partido. A ideia é evitar novas surpresas.
Durante o encontro, Flávio admitiu não somente que cobrou o pagamento do patrocínio de 134 milhões de reais para o filme “Dark Horse”, que conta a vida de Jair Bolsonaro, como também que visitou Daniel Vorcaro – ex-controlador do Banco Master – um dia após ele ser preso. Flávio reafirmou que “não há nada além disso”.
Parlamentares deram um novo voto de confiança a Flávio e reforçaram: “É hora de seguir em frente”. “Vamos partir para a campanha, e deixar isso tudo para trás”, disse um integrante da sigla à reportagem de O Antagonista.
Justamente com base nesse pensamento, integrantes do PL afirmam que eles “não têm um plano B”. A frase mina, ainda mais, as pretensões de uma ala do partido que ainda defende Michelle Bolsonaro para a disputa presidencial. Nas palavras de um integrante da sigla, fica cada vez mais cristalizada a visão de que “é preferível perder com Flávio, do que ganhar com Michelle”.
Pesquisa Atlas menos danosa que o esperado
Nos bastidores, dirigentes da legenda também avaliaram como menos danoso do que o esperado o impacto das revelações envolvendo Flávio e Vorcaro. De acordo com integrantes do partido, a queda de seis pontos percentuais registrada pelo senador em levantamento da AtlasIntel foi recebida com alívio, já que a expectativa interna era de uma retração ainda maior nas intenções de voto, algo em torno de dez pontos percentuais.
Na reunião, Flávio ainda defendeu que o levantamento não foi feito dentro dos parâmetros normais, disse que está tranquilo e falou para os aliados ficarem tranquilos também, pois o resultado é momentâneo e as intenções de voto nele vão melhorar nas próximas pesquisas. Além disso, pediu que o partido fale com muita transparência sobre o episódio.
A ideia do PL agora é partir para uma pauta programática para reagir ao caso “Dark Horse”. Os deputados e senadores do PL avaliam que a disputa presidencial será uma “guerra de rejeições”. “Não adianta dizer que Lula está envolvido com casos de corrupção, isso já está cristalizado na cabeça do eleitor. A tática agora é mostrar que o projeto Flávio é um projeto melhor para o Brasil”, admitiu outro integrante do partido a este portal.
Outro ponto citado da pesquisa é que, na visão dos bolsonaristas, historicamente a AtlasIntel não teria capacidade de captar o chamado voto envergonhado na família Bolsonaro.
A dúvida do PL em relação à escala 6×1
A reunião também foi marcada por discussões sobre a posição do partido em relação à proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Lideranças do PL admitem reservadamente que a legenda enfrenta dificuldades para fechar consenso sobre o tema e ainda não definiu qual orientação adotará na eventual votação da proposta no plenário da Câmara. O texto deve ser votado em menos de dez dias.
Nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro divulgou um manifesto em que classificou como “eleitoreira” a PEC do 6×1. E sugeriu uma mudança no regime de trabalho do país. Para Flávio, o brasileiro precisa ser pago por hora trabalhada. O manifesto faz parte desse movimento de mudar a agenda relacionada ao filho do ex-presidente da República.
“Nossa proposta traz as mudanças necessárias para o novo mundo do trabalho. Modernizando as relações. Ela significa: mais oportunidades, maior empregabilidade, aumento da formalização, mais competitividade para as empresas e não provoca a elevação dos preços dos produtos e serviços. Todos ganham”, disse Flávio em nota oficial.
O pedido de Valdemar
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, participou da abertura da reunião hoje. Na ocasião, disse querer um partido unido e “pensando em Brasil“.
Ele pediu um partido muito unido e defendeu que a individualidade não fortalece a sigla.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)