Flávio cobra desculpas de Lula por reajuste de R$ 3 por dia no Bolsa Família
Candidato criticou o valor do benefício, questionou a atuação do governo no combate à pobreza e cobrou explicações sobre o endividamentos
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) cobrou que o presidente Lula (PT) peça desculpas aos beneficiários do Bolsa Família durante o debate da TV Globo nesta sexta-feira, 23. O senador criticou o reajuste do programa social e afirmou que o petista só voltou a dar atenção à população de baixa renda por causa da proximidade das eleições.
“Eu quero saber se você vai pedir desculpas, Lula, pro pessoal que recebe Bolsa Família. Você que recebe Bolsa Família, você foi esquecido pelo atual governo por quatro anos. Sabe quando ele lembrou de você? Há 17 dias”, declarou Flávio.
O candidato criticou o aumento do benefício e afirmou que o reajuste representaria apenas três reais por dia para as famílias atendidas. “Ele passou quatro anos e te deixou de lado. Faltando pouquinho tempo, ele lembrou de você e te deu um reajuste de três reais por dia. Três reais por dia. Você compra três ovos com isso”, disse.
Flávio também evocou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao abordar o valor do benefício social. Em 2022, o governo Bolsonaro elevou temporariamente o Auxílio Brasil de 400 para 600 reais mensais, com o pagamento adicional previsto até dezembro daquele ano. O valor mínimo de 600 reais foi mantido em 2023, quando o governo Lula retomou o nome Bolsa Família.
Cobrança após discussão sobre licença-maternidade
A troca de acusações começou quando Lula questionou Flávio sobre seu voto contrário ao aumento da licença-maternidade, quando o senador era deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio reconheceu que considerava a decisão equivocada e afirmou que mudou de opinião depois de se casar e ter duas filhas.
“Eu tava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca sei da importância da mãe tá perto do filho por até mais de 180 dias, se possível”, afirmou.
Na sequência, Lula acusou o adversário de não ter apoiado a ampliação do benefício quando teve oportunidade. O presidente também questionou por que Flávio teria chamado o Bolsa Família de “Bolsa Farelo”, expressão que classificou como desrespeitosa com a população de baixa renda.
O petista ainda reagiu ao uso da expressão “nove dedos”, atribuída a Flávio, e cobrou um pedido de desculpas. Lula lembrou que perdeu um dedo em um acidente de trabalho quando era jovem e afirmou que não aceitaria ser tratado daquela forma.
Flávio, então, pediu desculpas ao presidente. “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade”, declarou.
Moradores de rua, endividamento e preço dos alimentos
Depois do pedido de desculpas, o senador voltou a atacar a gestão petista e ampliou a cobrança para outros temas sociais. Flávio questionou Lula sobre o aumento da população em situação de rua, o endividamento das famílias, a violência contra mulheres e o preço dos alimentos.
“Você vai pedir desculpas para quem tá endividado? Você que tá devendo, com dificuldade de pagar suas contas em dia, tá com a conta atrasada. São mais de 80 milhões de pessoas como você que estão pagando contas além da data de vencimento do seu boleto”, afirmou.
O candidato também criticou o custo de produtos básicos, como arroz, feijão e carne, e disse ter ouvido relatos de decepção com o governo durante viagens pelo país, especialmente pelo Nordeste.
“A esperança virou decepção, a esperança virou medo”, declarou.
Flávio ainda mencionou ações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, no combate à Cracolândia. Segundo o senador, pessoas que viviam nas ruas foram acolhidas e passaram a receber tratamento.
O embate ocorreu durante o bloco dedicado às políticas sociais e reuniu acusações sobre a condução dos programas de transferência de renda, a situação econômica das famílias e as políticas de combate à pobreza.
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