Flávio apresenta pedido de impeachment de Moraes por ‘abusos’ em decisões
A petição de 22 páginas afirma que Moraes extrapolou limites ao impor medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou nesta quarta-feira, 23, um pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O documento, entregue à presidência do Senado, acusa o magistrado de violar a Constituição, agir com parcialidade e usar o cargo para perseguição política do clã Bolsonaro.
A petição de 22 páginas afirma que Moraes extrapolou limites ao impor medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo Flávio, as decisões do ministro “criminalizam manifestações políticas legítimas”, censuram comunicações e afrontam a liberdade de expressão.
“Ao considerar que repostagens de conteúdos de figuras públicas estrangeiras configuram atos criminosos, e ao associar essa conduta a uma suposta tentativa de interferência estrangeira no Judiciário brasileiro, o Ministro Alexandre de Moraes ultrapassa os limites da imparcialidade judicial, atua com base em presunções ideológicas e transforma atos legítimos de manifestação política em elementos de perseguição institucional”, declarou o parlamentar no pedido de impeachment.
Entre outros pontos destacados pelo senador está a proibição de Jair Bolsonaro manter contato com autoridades estrangeiras — incluindo o próprio filho —, o veto ao uso de redes sociais e a interpretação de postagens e reuniões diplomáticas como atos ilícitos. Flávio sustenta que tais medidas representam “perseguição ideológica” e que não foram adotadas em episódios semelhantes envolvendo lideranças de esquerda.
O senador cita o discurso da ex-presidente Dilma Rousseff na ONU, em 2016, e viagens do então advogado de Lula, hoje ministro do STF, Cristiano Zanin, à Europa, como exemplos de manifestações políticas externas que não foram alvo de medidas judiciais.
“Se Lula, mesmo preso, teve assegurado o direito de expressar suas opiniões, por que Jair Bolsonaro, em liberdade e sem condenação, é silenciado por decisão judicial?”, questiona a petição.
Flávio também argumenta que Moraes atuou como “vítima, investigador e julgador” no mesmo processo, ao interpretar postagens que citavam seu nome como tentativa de ameaça pessoal. Para o senador, isso configura quebra de imparcialidade e se enquadra nos crimes de responsabilidade previstos na Lei 1.079/1950, que rege o impeachment de ministros do STF.
Em 2019, o Senado chegou a coletar assinaturas suficientes para a criação da CPI da Lava Toga, que investigaria Dias Toffoli pela abertura do primeiro inquérito irrestrito relatado por Moraes, o das fake news; mas Flávio Bolsonaro, enquanto Toffoli paralisava investigações de peculato que o atingiam, pressionou senadores a retirarem assinaturas do requerimento.
Leia também: “6 anos de inquérito das fake news: conheça sua verdadeira história”
“A quem interessa uma instabilidade política nesse momento? Não é possível que as pessoas não enxerguem. A gente tem que ter equilíbrio. Agora seria muito ruim uma CPI como essa. É só por isso que eu não assinei”, declarou Flávio na ocasião.
“Eu fui contra, sim – é importante trazer isso a público também – a CPI da Lava Toga”, confessou, anos depois.
Leia na íntegra o pedido de impeachment apresentado por Flávio Bolsonaro:
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (3)
Sandra
23.07.2025 16:26O Brasil precisa é de impeachment não só do judiciário, mas de todos os políticos. O país precisa começar do zero, e criar uma lei que livre o povo esse circulo vicioso das reeleições de políticos de todas as esferas de poder
Emerson
23.07.2025 15:05Hum ..... de repente algo me diz 2019 .
Um_velho_na_janela
23.07.2025 13:47Há alguns anos atrás, o Flávio defendia com unhas e dentes os ministros que lhe concediam um foro privilegiado inexistente, hoje pede impeachment de ministro que processa um golpista comprovado dentro da legislação vigente. Senão fosse um pequeno detalhe, até que a animosidade homicida induzida pela bilionária campanha de desinformação contra o ministro poderia produzir o resultado almejado, mas os rabos presos junto ao STF são muitos e daí...