Família Batista intermediou reunião entre Lula e Trump?
Irmãos donos da J&F estavam nos EUA quando reunião presidencial foi confirmada; empresa doou US$ 5 mi à posse de Trump
O empresário Joesley Batista, sócio do grupo J&F, exerceu papel importante nas negociações que resultaram no encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado para esta quinta-feira, 7, em Washington.
Segundo a Folha, a informação foi confirmada à agência Reuters por uma fonte com acesso direto às tratativas. Um jato da família Batista estava programado para cruzar o território norte-americano na véspera do encontro, saindo do Colorado com destino à capital federal americana.
Reunião adiada e retomada às pressas
O encontro entre os dois líderes vinha sendo articulado desde janeiro, quando Lula e Trump falaram por telefone. O processo, no entanto, perdeu ritmo à medida que o governo norte-americano passou a concentrar esforços no conflito no Irã. A retomada veio apenas na semana passada, quando representantes de Washington ofereceram a data de quinta-feira para a reunião.
Uma segunda fonte confirmou que tanto Joesley quanto seu irmão Wesley se encontravam nos Estados Unidos no período. Wesley teria viajado primeiro ao Colorado. Nenhuma das fontes se dispôs a detalhar a participação dos irmãos nas negociações em torno do encontro presidencial. A J&F não se pronunciou.
Histórico de mediações e laços com Washington
A atuação de Joesley como intermediador não se restringe à relação Brasil-EUA. Em janeiro deste ano, o empresário se reuniu com Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela, antes e depois de encontros com autoridades norte-americanas.
O objetivo, segundo a Reuters, era transmitir a Washington sinais de que Caracas estaria disposta a abrir seu setor de petróleo e gás a investimentos estrangeiros. No fim de 2025, a mesma aeronave rastreada na viagem a Washington havia pousado na capital venezuelana em meio a relatos de que Joesley buscava convencer Nicolás Maduro a deixar o poder.
A presença dos Batista nas articulações diplomáticas reflete a influência crescente do empresariado na definição da agenda externa do governo Trump.
A JBS, controlada pela J&F, mantém operações de grande porte nos Estados Unidos. A Pilgrim’s Pride, produtora de aves sob controle majoritário da JBS, figura como a maior doadora individual do comitê de posse de Trump em 2025, com uma contribuição de US$ 5 milhões.
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