Falsos médicos matam nove pacientes em hospital de SP
Dois impostores realizaram 2 mil atendimentos irregulares em unidade privada da capital paulista; um foi preso e o outro fugiu para o Chile
Nove mortes e dois mil atendimentos sem habilitação profissional: esse é o balanço preliminar de um esquema de falsificação de identidade médica descoberto em um hospital privado na zona leste de São Paulo.
A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira, 26, a segunda fase da Operação Hipócrates, que culminou na prisão de um dos suspeitos e na fuga do segundo para o exterior. O caso veio à tona depois que uma denúncia anônima chegou ao Disque-Denúncia.
Como o esquema funcionou
De acordo com informações da Agência SP, os dois homens atuaram durante dois anos na mesma unidade de saúde, onde somaram aproximadamente dois mil atendimentos irregulares. As mortes de nove pacientes são atribuídas a erros e falhas cometidos por eles durante esse período.
O delegado titular do 22° Distrito Policial, Mariano de Araújo, alertou que o número de vítimas pode ser ainda maior, já que as investigações continuam abertas.
Um dos investigados chegou a atuar no setor de emergência de outro hospital. Mesmo após ser identificado pelas autoridades, ele continuava exercendo a medicina — desta vez por telemedicina. No dia em que foi detido, foi flagrado recebendo uma paciente na calçada em frente ao próprio apartamento para administrar uma medicação.
Fuga, obstáculos e desdobramentos
A prisão do segundo suspeito chegou a ser tentada ainda em dezembro de 2025, mas não foi concluída. Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, a direção do hospital teria dificultado a abordagem policial naquela ocasião: “Como ele sabia que era um alvo, fugiu para o Chile, mas já estamos em contato com as autoridades competentes para que esse homem seja punido”.
A administração da unidade hospitalar cumpre medidas cautelares determinadas pela Justiça. Na operação desta terça-feira, além da prisão, foram apreendidos celulares, um notebook, medicamentos e equipamentos médicos utilizados pelos impostores.
O delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, atribuiu o avanço das investigações ao canal de denúncias: “Foi um excelente trabalho que começou no ano passado, após esse relato no Disque-Denúncia. Desde o primeiro momento, a equipe se mobilizou para investigar e solucionar esse caso, por isso a importância da denúncia”.
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