Fala de líder do PT abre nova crise entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto
Presidente do Senado não gostou de ser pressionado pelo deputado Pedro Uczai (PT-SC) por PEC que acaba com o regime 6x1
Uma fala do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, aumentou a tensão entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o Palácio do Planalto e pode atrasar ainda mais a tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com o regime de trabalho 6×1.
Nesta terça-feira, 7, Uczai afirmou que o senador passará a ser tratado como “inimigo dos trabalhadores” caso não encaminhe a PEC para a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Alcolumbre, em nota oficial, respondeu e declarou que não iria se submeter às pressões do petista.
“A definição da pauta e da tramitação das matérias é prerrogativa constitucional da Presidência e não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”, disse o parlamentar amapaense em nota oficial.
Alcolumbre procurou nesta quarta-feira, 8, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para se queixar sobre a fala do parlamentar. Conforme apurou O Antagonista, Alcolumbre não somente reclamou do tratamento como deixou claro, novamente, que não será pressionado pelo PT para dar andamento a essa pauta. A parlamentar ficou de levar o recado para o Palácio do Planalto, mais precisamente para o ministro de Relações Institucionais, José Guimarães.
Alcolumbre reforçou também que gostaria de conversar com o presidente Lula antes de dar encaminhamento à PEC. Para ele, esse tipo de matéria – que é de interesse direto do Planalto -, precisa ser alinhada diretamente como petista. A questão, no entanto, é que o presidente da República não deu qualquer sinal de que gostaria de retomar as relações com Alcolumbre.
Lula ainda mantém uma certa resignação em relação à rejeição da indicação do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Na semana passada, Alcolumbre já havia se reunido com a líder do Governo no Senado, com o senador Paulo Paim e representantes das centrais sindicais para tratar da matéria. Apesar disso, não ficou definido nem rito nem período de tramitação da PEC no Senado.
Como mostramos na semana passada, Alcolumbre trabalha nos bastidores para remodelar a PEC. Antes mesmo de definir uma data para levar o texto ao plenário, o senador determinou à assessoria legislativa da Casa que elabore uma emenda para retirar da proposta o dispositivo que extingue o período de transição previsto para a implementação das novas regras.
A iniciativa ocorre em meio à pressão do governo de Lula para destravar projetos considerados prioritários no Senado. Apesar do interesse do Palácio do Planalto em acelerar a tramitação da PEC, Alcolumbre tem sinalizado que não pretende colocar a matéria em votação antes do recesso parlamentar.
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