Exercícios físicos na vida adulta previnem depressão na velhice
Estudo com 15 mil pessoas associa prática física constante a menor incidência de depressão após os 50 anos
Manter uma rotina de exercícios físicos durante a vida adulta, ainda que abaixo do volume indicado pelas autoridades de saúde, está relacionado a um risco menor de depressão em fases mais avançadas da vida.
A conclusão vem de um levantamento que analisou mais de 15 mil participantes com 50 anos ou mais, ao longo de 12 anos, combinando dados de duas pesquisas de longo prazo conduzidas no Reino Unido e nos Estados Unidos.
O transtorno atinge cerca de 12 milhões de pessoas no Brasil, país que concentra a maior taxa de casos da América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde. Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam ainda que a condição é mais comum entre mulheres e cresce em prevalência conforme avança a idade da população.
Panorama da depressão entre idosos
O pesquisador André de Oliveira Werneck, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP e um dos responsáveis pelo estudo, afirma que sustentar a prática esportiva durante a vida adulta diminui a chance de a depressão surgir na terceira idade — mesmo entre quem não cumpre o volume mínimo estabelecido pela OMS.
Segundo Werneck, trabalhos anteriores já haviam apontado ligação entre atividade física e melhores indicadores de saúde mental. A novidade da pesquisa atual está em demonstrar que esse efeito positivo se estende no tempo, refletindo-se na redução do risco de depressão décadas depois do início da prática.
As diretrizes da OMS recomendam aos adultos treinos de fortalecimento muscular em pelo menos duas sessões semanais, somados a exercícios aeróbicos frequentes. Ainda assim, o levantamento identificou queda de até 16% no risco de depressão na velhice entre pessoas que se exercitam apenas uma vez por semana — patamar inferior ao sugerido pelo órgão.
Corpo e mente interligados
A pesquisa reforça a existência de uma relação direta entre condição física e equilíbrio emocional, em que alterações em uma dimensão tendem a repercutir na outra. Por esse motivo, a atividade física costuma integrar tanto estratégias de prevenção quanto tratamentos voltados a doenças crônicas, entre elas os transtornos mentais.
Os achados sugerem que, mesmo distante da meta semanal recomendada, qualquer nível de exercício sustentado ao longo dos anos pode representar proteção adicional à saúde mental na fase mais avançada da vida — um dado relevante em um cenário de aumento constante da população idosa.
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