O ex-Lula

03.10.2026

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5 minutos de leitura 31.12.2021 13:00 comentários
Brasil

O ex-Lula

Para Lula, 2021 foi um ano de lavagem midiática intensa. O ex-presidiário passou de condenado à condição de "estadista" para grande parte dos veículos de imprensa. O petista começou o ano com a expectativa de que a Segunda Turma do STF, com a ajuda do indicado por Jair Bolsonaro, Kassio Marques, reconhecesse a suspeição de Sergio Moro no caso do triplex e abrir caminho para a reversão de suas condenações na Lava Jato...

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Foto: Adriano Machado/Crusoé

Para Lula, 2021 foi um ano de lavagem midiática intensa. O ex-presidiário passou de condenado à condição de “estadista” para grande parte dos veículos de imprensa.

O petista começou o ano com a expectativa de que a Segunda Turma do STF, com a ajuda do indicado por Jair Bolsonaro, Kassio Marques, reconhecesse a suspeição de Sergio Moro no caso do triplex e abrisse caminho para a reversão de suas condenações na Lava Jato. Nessa expectativa, a defesa do petista celebrou a decisão de Ricardo Lewandowski que garantiu o seu acesso às mensagens roubadas da Lava Jato, provas ilegais que acabariam sendo usadas como “reforço argumentativo”.

Antes que a suspeição de Moro fosse julgada, no entanto, Luiz Edson Fachin, surpreendendo a todos, anulou, em caráter liminar, todos os atos em processos envolvendo Lula na Lava Jato. O ministro entendeu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgar os casos, porque eles não teriam relação com a Petrobras.

A decisão contrariou um entendimento anterior da própria Corte, que reconhecera a competência da vara anos antes. Fachin afirmou que, com o passar do tempo, o Supremo foi mudando de entendimento em suas decisões.

A liminar foi a julgamento no plenário do Supremo, e os ministros confirmaram a incompetência de Sergio Moro para julgar Lula, por ampla maioria.

Diante do ápice do processo desmoralização da Lava Jato, Gilmar Mendes decidiu que seria um bom momento para pautar a ação sobre a suspeição de Moro no caso do triplex. O ministro estava sentado sobre o caso desde 2018, aguardando o momento ideal para garantir que o ex-juiz fosse considerado parcial.

Apesar de as condenações já terem sido anuladas, a Corte reconheceu a suspeição de Moro, por 7 votos a 4. Gilmar aproveitou a oportunidade para fazer um comício político de cerca de três horas, em que atacou Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato diversas vezes.

O ministro citou durante todo o seu voto as mensagens roubadas da operação, que não poderiam ser usadas como provas no julgamento, por terem sido obtidas de forma ilegal e por terem surgido em 2019, depois que a ação foi apresentada.

As decisões do Supremo consagraram o processo de destruição da Lava Jato e possibilitaram a Lula passar à condição de favorito para as eleições presidenciais de 2022.

Ainda em março, o petista fez seu primeiro pronunciamento depois da anulação das condenações. Ele discursou durante mais de uma hora no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo.

O ex-presidiário fez uma série de críticas a Jair Bolsonaro por sua gestão no combate à pandemia, evitando falar nos escândalos de rachadinha, e reiterou seus ataques à Lava Jato.

O ex-presidiário começou, então, a dar entrevistas para a imprensa internacional, como o homem que poderia salvar a democracia brasileira. Mas evitou falar em impeachment, mesmo diante das centenas de milhares de mortes por Covid no país, causadas em boa parte pelo negacionismo de Bolsonaro, e das ameaças golpistas do presidente da República.

Desde que voltou ao jogo, Lula adotou a estratégia de deixar Bolsonaro sangrando até 2022, já que sua vantagem sobre o presidente só aumentou nas pesquisas eleitorais.

Lula usou a pandemia como pretexto para não comparecer a manifestações de rua marcadas por movimentos de esquerda contra Bolsonaro. Em setembro, o PT não aderiu aos protestos marcados pelo MBL e pelo Vem Pra Rua contra o presidente.

Com a volta de Lula à disputa eleitoral, Ciro Gomes, com auxílio do marqueteiro João Santana, intensificou seus ataques ao ex-presidiário que concorre na mesma faixa que ele, a da esquerda.

O pedetista chamou Lula de “maior corruptor da história moderna brasileira” e disse que ele conspirou pelo impeachment de Dilma Rousseff. O petista irritou-se e reagiu. Mas terminou o ano dando uma piscadela para Ciro Gomes, ao dizer que a  operação da PF contra o pedetista e seu irmão Cid Gomes foi uma operação política.

Em novembro, Sergio Moro finalmente se filiou ao Podemos com o objetivo de disputar as eleições de 2022. O ex-presidiário intensificou, então, seus ataques ao juiz que o condenou, chamando Moro de criminoso nos países que visitou, para fazer pose de estadista.

A alma mais inocente do Brasil termina o ano tentando atrair Geraldo Alckmin para ser o seu vice na chapa presidencial, para capturar votos de eleitores mais ao centro no espectro político. Para completar o ano feliz do Ex-Lula, o Ministério Público pediu o arquivamento do caso do triplex do Guarujá, que havia voltado à estaca zero depois da decisão do Supremo, sob o argumento de que o crime prescreveu.

Saudades de Curitiba.

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