Ex-chefe da Polícia Civil do Rio volta à prisão por decisão do STF
Decisão da Segunda Turma reverte liberação concedida em 2022; defesa do delegado Allan Turnowski recorrerá
O ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, o delegado Allan Turnowski, teve sua prisão preventiva restabelecida pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão reverteu uma determinação anterior do ministro Kassio Nunes Marques, que havia concedido a liberdade ao ex-secretário em 2022. Turnowski responde a acusações de envolvimento com o jogo do bicho.
A informação sobre o restabelecimento da prisão foi inicialmente veiculada pelo colunista Guilherme Amado e posteriormente confirmada pelo portal O GLOBO.
Em resposta ao desdobramento, a defesa de Allan Turnowski divulgou nota informando que pretende interpor embargos de declaração. Segundo os advogados, a medida busca abordar pontos que teriam sido omitidos na decisão, destacando que o processo estaria paralisado há aproximadamente um ano aguardando diligência solicitada pelo Ministério Público. A defesa também ressalta que todas as medidas alternativas impostas anteriormente foram cumpridas integralmente, sem registro de incidentes.
Histórico e Acusações
Allan Turnowski foi preso em setembro de 2022 por agentes do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
Ele teria atuado como um agente duplo em benefício de contraventores como Rogério de Andrade e Fernando Iggnácio. Iggnácio, por sua vez, foi assassinado em novembro de 2020.
Antes de sua passagem mais recente pela Secretaria de Polícia Civil (entre 2020 e 2022), Turnowski já havia ocupado o cargo de chefe de Polícia no período de 2010 a 2011, sob o governo de Sérgio Cabral. Ele deixou a função na ocasião em meio a uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre um suposto vazamento da Operação Guilhotina.
Naquela apuração, Turnowski chegou a ser indiciado por violação de sigilo funcional, sob a suspeita de ter repassado dados a um policial que era alvo da operação. O caso foi arquivado por falta de provas, e Turnowski sempre negou qualquer irregularidade. A Operação Guilhotina resultou na prisão de 30 policiais civis e militares ligados a organizações criminosas, incluindo Carlos Oliveira, que era então considerado braço direito de Turnowski.
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