EUA não enganam Lula, diz Celso Amorim
Assessor especial da Presidência comenta encontro do petista com Donald Trump
O assessor especial da Presidência, Celso Amorim (foto), voltou a demonstrar ceticismo sobre as negociações com o governo americano e afirmou nesta sexta-feira, 26, que os Estados Unidos “não enganam” o presidente Lula. Ele comentou sobre o encontro do petista com Donald Trump, na terça-feira, nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.
Amorim disse que ainda não há definição sobre o formato da reunião, mas que todos os detalhes podem ser combinados.
“Pode haver um 1° passo por telefone para preparar, pode ser num lugar onde os 2 estejam presentes, no meio do caminho para outra viagem. É muito cedo ainda. O importante é a disposição de conversar e ela existe”, afirmou.
Segundo o assessor, o primeiro diálogo entre os presidentes deve priorizar investimentos e comércio. Disse que o Brasil só aceitará negociações que incluam processamento local de recursos estratégicos, como as terras raras. “Não daremos nada de graça”.
Amorim também comentou sobre o gesto de Trump na ONU, quando chamou Lula de “very nice guy”.
“Até o momento havia apenas uma relação indireta, por carta, sempre muito tensa. E acho que houve um desejo de distensão. Isso é positivo”, afirmou.
Sobre tarifas e processos na OMC, Amorim disse que o Brasil não planeja retirar disputas abertas.
“Sempre tivemos amizade com os EUA e eles tinham processos contra nós e nós contra eles. Continua negociável, mas não é uma religião”, disse.
Amorim também avaliou possíveis atritos com Trump.
“Tenho a impressão de que Trump não teria feito o gesto de abertura se ele estivesse ainda disposto a tomar alguma atitude mais rígida. Já achei que, depois do julgamento de Bolsonaro, sua reação foi mais suave que de alguns outros funcionários.”
Leia mais: Trump deixou a porta aberta para Lula?
Pintou um clima
Algumas falas improvisadas do presidente Donald Trump na 80ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira, mexeram com a política externa brasileira e com o discurso de reeleição do presidente Lula.
Nas últimas semanas, o petista vinha ganhando pontos de aprovação apostando na confrontação com os Estados Unidos, nos bolsonaristas e no slogan “Brasil Soberano”, criado pelo marqueteiro Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência.
O gesto de Trump alterou o cenário. Como mostra reportagem de capa da edição mais recente de Crusoé, o presidente precisa definir como responder tanto ao governo americano quanto aos brasileiros.
Se entrar em uma negociação bem-sucedida, Lula poderia se destacar como estrategista, protegendo o Brasil de novas ações punitivas e enfraquecendo o adversário Jair Bolsonaro, aliado de Trump.
Por outro lado, se ignorar o presidente americano, será cobrado pelos brasileiros que esperam uma solução para o impasse.
Leia a reportagem: Pintou um clima
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (3)
Andre Luis Dos Santos
27.09.2025 15:16"Mas não é uma religião". Interessante a colocação de CA. "Religião" é a vassalagem que você, Mauro Vieira, Lula e essa merda de ParTido imundo prestam pra escória do planeta, tipo Putin, Xi, Maduro, etc., não é mesmo?
Osmair Mendonça
27.09.2025 12:58Acho que o mais fácil de enganar continua sendo esse povo simple e analfabeto que forma a população de eleitores brasileiros .
Marian
27.09.2025 11:18Ninguém engana ninguém. E agora muito menos ao povo, não é mesmo?