Celso Amorim se mostra cético sobre negociações com Trump
É preciso "ver no que isso vai dar", disse o assessor especial para Assuntos Internacionais ao 'Globo'
Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazer acenos a Lula (PT) durante seu discurso na Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira, 23, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, demonstrou ceticismo sobre as negociações com o governo americano.
Ao jornal O Globo, ele disse que é preciso “ver no que isso vai dar, mas, em si, é positivo”.
“Falar em ‘nice guy’ [cara legal, em tradução livre], é uma mudança de tom. Como isso vai repercutir nas pessoas que tomam decisões é outra coisa. Houve problemas graves com a mulher de [Alexandre] de Moraes, e vários outros. Não sei como isso vai se alastrar na política”, acrescentou.
Questionado se recomendaria um encontro no Salão Oval, na Casa Branca, Amorim disse que “é preciso ver”.
“Não sei como será, e se será dessa maneira, é preciso ver. Ninguém colocará pré-condições, tem que ver”, afirmou.
À CNN internacional, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a agenda de Lula impede um encontro presencial na semana que vem, mas que os presidentes de Brasil e EUA poderiam conversar por telefone.
“Ele gostou de mim e eu gostei dele”
Na ONU, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que teve uma “excelente química” ao se encontrar com o presidente Lula antes de discursar.
“O Brasil agora precisa lidar com muitas tarifas em resposta aos esforços sem precedentes para interferir nos direitos e nas liberdades dos cidadãos americanos e de outros. A censura, a repressão, a corrupção judicial e o ataque a críticos políticos nos Estados Unidos“, disse Trump.
“Eu tive um pequeno problema pensando se dizia isso para vocês, mas preciso falar. Eu estava entrando aqui e o presidente do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu e nós nos abraçamos. Acredita nisso? Nós combinamos que vamos nos encontrar na próxima semana. Nós não teremos muito tempo para falar, talvez uns 20 segundos”, afirmou o americano.
“Em retrospecto, estou feliz que esperei, porque essa coisa não deu muito certo. Mas nós nos falamos, foi uma boa conversa e combinamos de falar na próxima semana”, continuou.
“Ele me pareceu um bom homem, na verdade. Ele gostou de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com pessoas que eu gosto. Quando eu não gosto, eu não gosto. Mas tivemos ao menos 39 segundos de química excelente. Esse é um bom sinal“, completou.
Leia mais: Trump deixou a porta aberta para Lula?
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Comentários (4)
Marian
24.09.2025 09:20Parece que nunca houve a intenção para a negociação. Uma pena, o país destroçado ficará para o próximo presidente consertar.
FRANCISCO
23.09.2025 21:05Esse Celso Amorim está aí só para complicar.
Ita
23.09.2025 15:53Ah, também o Dudu bananinha.
Ita
23.09.2025 15:52Pode até resultar em alguma coisa positiva para o Brasil mas o C. Amorim não o deseja, claro.