“Prisões rompem blindagens”, diz presidente da CPMI da INSS
Carlos Viana divulgou nota sobre nova fase da Operação Sem Desconto
O senador Carlos Viana (foto), presidente da CPMI do INSS, afirmou nesta quinta-feira, 18, que a nova fase da Operação Sem Desconto rompeu a blindagem política da base governista em relação aos possíveis investigados pelo colegiado.
Segundo Viana, os presos e alvos da operação integram uma “engrenagem organizada” com foco na “apropriação indevida de valores de beneficiários do INSS, acompanhada de lavagem de dinheiro”.
“Confirmo que a nova fase da Operação Sem Desconto consolida, de forma definitiva, tudo aquilo que a CPMI do INSS vem revelando desde o início de seus trabalhos. Não estamos diante de fatos isolados nem de desvios pontuais. O que se escancara é um esquema muito maior, altamente estruturado e profundamente orquestrado para roubar aposentados, pensionistas, viúvas e órfãos, exatamente aqueles que o Estado deveria proteger com prioridade absoluta.
Tenho plena convicção, sustentada por documentos e depoimentos analisados pela CPMI, de que os investigados organizaram uma complexa estrutura criminosa, com profunda repercussão negativa na sociedade. Trata-se de uma engrenagem organizada, voltada à apropriação indevida de valores de beneficiários do INSS, acompanhada de lavagem de grandes quantias de dinheiro“, diz trecho da nota oficial divulgada pelo deputado Sóstenes Cavalcante.
Para o parlamentar, as prisões confirmam que a linha de investigação da CPMI estava correta.
“Foi esta CPMI que colocou luz onde havia escuridão. Rompemos o silêncio, expusemos o esquema, identificamos operadores e revelamos como benefícios previdenciários foram transformados em fonte de enriquecimento ilícito. O que hoje se confirma é o maior e mais vergonhoso escândalo já cometido contra aposentados no Brasil. As investigações não se encerram aqui. Novas operações ocorrerão. Pessoas de alto escalão seguem sob investigação e, à medida que as provas forem consolidadas, todos serão alcançados pela lei, sem exceções ou privilégios.”
Alvos e prisões
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão do senador Weverton Rocha, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contrariamente.
Foram presos o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, ex-chefe de gabinete de Weverton Rocha, Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Éric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis.
Weverton Rocha, um ‘peixe grande’ no esquema
Como mostramos, a CPMI do INSS apontava o senador Weverton Rocha como um dos chamados ‘peixes grandes’ no esquema.
O outro nome na mira da comissão é o do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT).
Sobre Weverton, a esperança da CPMI era que a PF pudesse desdobrar eventuais relações dele com o empresário Gustavo Marques Gaspar.
Gaspar é ex-assessor do senador.
Ele é apontado não somente como homem de confiança de Rocha, como alguém que teria assinado um documento que dava amplos poderes ao consultor Rubens Oliveira Costa, apontado pela PF como o “carregador de mala” do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
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