Erro em propina expõe contabilidade do esquema do INSS, diz Viana
Senador afirma que relatório da Polícia Federal confirma movimentações financeiras ligadas ao esquema investigado pela CPMI do INSS
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), afirmou nesta sexta-feira, 17, que novos elementos revelados pela Polícia Federal reforçam as evidências do esquema de fraudes envolvendo descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar sustentou que a investigação encontrou uma prova material que confirma a existência de uma contabilidade paralela de pagamento de propinas.
Segundo Viana, a PF identificou uma conversa ocorrida em agosto de 2024 na qual um operador do esquema informou ter realizado, por engano, o pagamento em duplicidade de uma propina destinada a um codinome registrado em planilhas internas da organização.
De acordo com o senador, os investigadores cruzaram o conteúdo da mensagem com extratos bancários e encontraram exatamente as duas transferências mencionadas na conversa: duas operações idênticas, no valor de 300 mil reais e 10 centavos cada, realizadas no mesmo dia por empresas diferentes para o mesmo destinatário.
Para o parlamentar, a coincidência entre as mensagens e as movimentações financeiras afasta dúvidas sobre a autenticidade das planilhas apreendidas durante as investigações.
“Foi esse erro de digitação que provou que a planilha paralela não era papel de fantasia. Era contabilidade real de propina, batendo centavo a centavo com o sistema bancário”, escreveu.
Carlos Viana também relembrou sua atuação à frente da CPMI do INSS, instalada para investigar descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo ele, durante os trabalhos da comissão já haviam surgido planilhas, codinomes e outros indícios de irregularidades, mas havia quem alegasse falta de provas para sustentar as conclusões apresentadas.
“Eu acompanhei esse tipo de material de perto quando presidi a CPMI do INSS. Vimos planilha, vimos codinome, vimos indício. Disseram que faltava prova no relatório final. Pois aqui está mais uma prova”, afirmou.
Ao encerrar a publicação, o senador declarou que “corrupção deixa rastro” e defendeu o avanço das investigações para responsabilizar todos os envolvidos no esquema que lesou milhares de aposentados e pensionistas do INSS.
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