Erika receberá R$ 2,3 milhões da verba, diz presidente da Federação PSOL-Rede
Juliano Medeiros rebateu crítica da deputada federal sobre favorecimento a outros pré-candidatos da sigla
O presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, rebateu nesta quarta-feira, 24, a cobrança feita pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) à direção da sigla por suposto descumprimento de acordos internos e diferença de tratamento em relação à pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila.
Segundo o dirigente, a deputada receberá R$ 2,3 milhões da verba partidária para a campanha.
Na terça, 23, a parlamentar acusou Medeiros de descumprir acordos internos em razão de um suposto “privilégio branco e cis”. Erika alegou que receberá menos da metade dos recursos inicialmente previstos para a campanha de Manuela e que vai ter exatamente o mesmo valor destinado à candidatura do próprio Juliano.
“Como já é tradicional no PSOL, receberão mais os candidatos de manutenção da bancada, ou seja, atuais deputados ou pessoas apoiadas pelos que não serão candidatos”, escreveu Medeiros.
“É o caso de Ivan Valente e Guilherme Boulos, que apoiarão a minha candidatura e a de Natalia Boulos. Eu e Natalia, candidatos de primeira viagem, receberemos o mesmo valor, ainda que Erika não tenha citado o nome dela”, disse.
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A cobrança de Erika
O presidente do PSOL partirá para a sua primeira campanha à Câmara dos Deputados.
Erika participará de sua segunda campanha federal. E Manuela vai disputar o Senado, uma candidatura que, via de regra, recebe mais recursos das cúpulas do partido.
“Respeito a trajetória deles [Manuela e Juliano] e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe. É uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico”, disse Erika por meio do X.
Fatura
Por trás do discurso identitário, porém, há uma cobrança explícita de fatura pelo fato de ela não ter se transferido ao PT no início do ano.
Como revelou O Antagonista, Erika recebeu convite da direção da Executiva Nacional do PT para deixar o PSOL. A ideia do PT era fazer de Erika a principal puxadora de votos da sigla em São Paulo. O próprio PSOL estima que a parlamentar deve ter entre 700 mil e 1 milhão de votos neste ano.
No entanto, Erika decidiu ficar no PSOL convencida de que seria uma das estrelas do partido, e que teria prioridade na distribuição de recursos do fundo partidário.
“Eu e muitas lideranças decidimos ficar no PSOL para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira, porque nossa responsabilidade nestas eleições é gigante: dar nosso melhor, tudo de nós, para reeleger o presidente Lula e garantir uma bancada de esquerda mais forte, maior, para sustentar o governo e disputar a sociedade”, disse ela, complementando:
“Mas, para isso, o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, disse a parlamentar.
“Ninguém quer tirar o básico ou negar importância de quem está nas suas primeiras campanhas. O que não podemos aceitar é a falta de transparência e o suicídio político de sufocar quem tem a força popular para garantir a sobrevivência do partido. Nós ficamos no PSOL para superar a cláusula de barreira e eleger bancadas fortes. Agora, exigimos que a direção cumpra a sua palavra”, declarou a parlamentar.
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