Erika Hilton cobra ‘fatura’ por fidelidade ao PSOL: ‘Privilégio branco e cis’
Em post nas redes sociais, parlamentar criticou o fato de ela ter metade dos recursos inicialmente destinados a Manuela D'Ávila
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) cobrou publicamente a direção nacional da sigla nesta terça-feira, 23, e apontou uma suposta diferença de tratamento em relação à pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila.
Em publicação na rede social X (antigo Twitter), Hilton afirmou que o presidente nacional do partido, Juliano Medeiros, descumpriu acordos internos em razão de um suposto “privilégio branco e cis”. A deputada disse ter ficado “chocada e decepcionada” com a situação.
A deputada federal reclamou nas redes sociais que receberá menos da metade dos recursos inicialmente previstos para a campanha de Manuela e que vai ter exatamente o mesmo valor destinado à candidatura do próprio Juliano.
O presidente do PSOL partirá para a sua primeira campanha à Câmara dos Deputados; Erika participará de sua segunda campanha federal. E Manuela vai disputar o Senado, uma candidatura que, via de regra, recebe mais recursos das cúpulas do partido.
“Respeito a trajetória deles [Manuela e Juliano] e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe. É uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico”, disse Erika por meio do X.
Por trás do discurso identitário, porém, há uma cobrança explícita de fatura pelo fato de ela não ter se transferido ao PT no início do ano. Como revelou O Antagonista, Erika recebeu convite da direção da Executiva Nacional do PT para deixar o PSOL. A ideia do PT era fazer de Erika a principal puxadora de votos da sigla em São Paulo. O próprio PSOL estima que a parlamentar deve ter entre 700 mil e 1 milhão de votos neste ano.
No entanto, Erika decidiu ficar no PSOL convencida de que seria uma das estrelas do partido, e que teria prioridade na distribuição de recursos do fundo partidário.
“Eu e muitas lideranças decidimos ficar no PSOL para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira, porque nossa responsabilidade nestas eleições é gigante: dar nosso melhor, tudo de nós, para reeleger o presidente Lula e garantir uma bancada de esquerda mais forte, maior, para sustentar o governo e disputar a sociedade”, disse ela, complementando:
“Mas, para isso, o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, disse a parlamentar.
“Ninguém quer tirar o básico ou negar importância de quem está nas suas primeiras campanhas. O que não podemos aceitar é a falta de transparência e o suicídio político de sufocar quem tem a força popular para garantir a sobrevivência do partido. Nós ficamos no PSOL para superar a cláusula de barreira e eleger bancadas fortes. Agora, exigimos que a direção cumpra a sua palavra”, declarou a parlamentar.
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