Empresário alvo de sanção pelos EUA avalia se entregar, diz advogado
Advogado de Victor Shimada afirma que equipe prepara habeas corpus no TRF-3
A defesa de Victor Shimada (foto), alvo da Operação Exchange na última semana, avalia a possibilidade de se entregar às autoridades nos próximos dias. Shimada foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o advogado Yuri Cruz, a equipe jurídica apresentou ao cliente as vantagens de uma apresentação voluntária e as desvantagens de permanecer na condição de foragido.
“A gente se limita ao trabalho técnico e já está em fase de confecção e elaboração do habeas-corpus que será impetrado no TRF3, visando a prisão preventiva dele”, informou Cruz ao portal Metrópoles.
“É algo que ele já vem avaliando desde o início, mas que evidentemente tem as suas precauções, criou-se um personagem em cima dele por conta da sanção dos EUA, dele ter vínculo com o PCC, que não é a realidade, a própria Polícia Federal afirma isso. E, por conta de todo esse cenário dele estar sendo exposto.”
Sanções americanas
Segundo o governo americano, Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira atuavam como elo entre integrantes do PCC sediados na Flórida e traficantes estrangeiros.
De acordo com o comunicado, a organização lavou mais de US$ 30 milhões em recursos provenientes de atividades ilícitas gerados em diversas cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para transferir os valores de volta ao Brasil em benefício do PCC.
“O PCC representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, já que seus agentes em todo o país, particularmente na Flórida, lavam dinheiro proveniente do narcotráfico e contribuem para um ciclo de criminalidade”, diz trecho da nota.
“Em janeiro de 2025, Shimada ficou brevemente em prisão domiciliar no Brasil porque uma de suas empresas, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobrança e Tecnologia Ltda. (Victory Trading), foi usada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.”
As sanções econômicas também foram aplicadas às empresas Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda, Pixwave Solucoes De Pagamentos Ltda, Wave Construcoes Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, de Portugal.
“Maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental”
No comunicado, o Tesouro afirma que o PCC é a “maior organização criminosa transnacional (OCT) do Hemisfério Ocidental”.
“Nos Estados Unidos, o PCC representa uma ameaça criminal real e crescente. Redes como a alvo desta investigação se envolvem em tráfico de drogas, contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e outras atividades ilícitas para gerar fluxos de receita para o PCC. Ações recentes das autoridades brasileiras revelaram uma operação de lavagem de dinheiro baseada em comércio controlada pelo PCC, utilizando uma rede chinesa de distribuição de eletrônicos e uma plataforma chinesa de comércio eletrônico para lavar mais de US$ 190 milhões em sete meses.”
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