Em 2022, Érika foi a novata mais privilegiada em disputa pela Câmara
A parlamentar teve, em 2022, a quinta maior fatia do fundão eleitoral na disputa por uma vaga na Câmara em SP; o maior entre os novatos
Se neste ano, a deputada federal Erika Hilton (PSOL) resolveu reclamar de um suposto preconceito “cis” e branco por parte da cúpula do partido, nas eleições passadas ela foi a novata mais privilegiada entre os 39 candidatos do partido na disputa por uma vaga na Câmara.
Segundo as prestações de contas de Erika e do partido, ela arrecadou 1,52 milhão de reais ao longo da disputa, dos quais 1,42 milhão de reais teve origem na direção estadual do partido. O montante a colocou entre os principais destinatários de recursos da legenda no Estado, atrás apenas de nomes já consolidados na política nacional, como Guilherme Boulos, Ivan Valente, Sâmia Bomfim e Luiza Erundina.
O maior volume de recursos foi destinado a Boulos, que recebeu 2,83 milhões de reais. Em seguida aparecem Valente, com 2,04 milhões de reais, Sâmia, com 2,01 milhões de reais, e Erundina, veterana e ex-prefeita da capital paulista, com 1,95 milhão de reais. Erika figura na sequência, com 1,52 milhão de reais.
Outros candidatos do partido receberam valores inferiores ao da parlamentar. É o caso de Sônia Guajajara, que declarou 1,34 milhão de reais em receitas de campanha. Sônia também foi uma novata na disputa proporcional.
Ao dar um piti público nesta terça-feira, Erika reclamou que o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, um novato na disputa por um cargo na Câmara receberá a mesma fatia do fundão eleitoral que ela.
“É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela D’Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios”, disse a parlamentar.
À época, Erika disputava sua primeira eleição para deputada federal. Ela terminou o pleito como a candidata mais votada do PSOL no Estado, com mais de 256 mil votos, tornando-se uma das principais lideranças da legenda na Câmara. Boulos, em contrapartida, teve um milhão de votos. Proporcionalmente, cada voto para Erika Hilton custou 5,8 reais ao PSOL; já Boulos, teve um custo de 2,8 reais por voto.
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