Eduardo Bolsonaro volta a contestar eleição e fala em ditadura no Brasil
Em entrevista ao portal americano Newsforce, ex-deputado acusou o STF de controlar instituições e que o bolsonarismo vai recuperar o poder
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro voltou a contestar o resultado das eleições presidenciais de 2026 e afirmou que o Brasil vive uma ditadura durante entrevista ao portal americano Newsforce. Na conversa, realizada durante a CPAC em Mar-a-Lago, nos Estados Unidos, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) comparou o país à Venezuela e acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de usar a Justiça para controlar o poder.
“É basicamente o novo modelo de ditadura. Eles não usam mais armas para tomar o controle do país. Usam a Justiça da Suprema Corte”, declarou Eduardo. Na avaliação do ex-parlamentar, o Brasil estaria seguindo os mesmos passos da Venezuela, onde, segundo ele, a existência de instituições como Congresso, Suprema Corte e Presidência não impediria o funcionamento de um regime autoritário.
O ex-deputado também afirmou que o Brasil estaria funcionando como um laboratório para a disseminação desse modelo político em outros países. “Tenho certeza de que vocês precisam saber disso para impedir que seu país receba esse mesmo vírus brasileiro”, disse, em referência aos Estados Unidos.
Fraude eleitoral
Eduardo voltou a afirmar que a eleição presidencial foi fraudada, embora não tenha apresentado provas de irregularidades capazes de comprometer o resultado. O presidente Lula (PT) foi reeleito no segundo turno, em 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão do ex-deputado.
Como argumento, Eduardo mencionou que os candidatos que terminaram em terceiro, quarto e quinto lugares no primeiro turno somaram aproximadamente 9 milhões de votos e que parte deles havia manifestado apoio a Flávio ou rejeição a Lula. Para ele, seria inexplicável que o petista tivesse ampliado sua votação no segundo turno, inclusive em estados considerados redutos eleitorais do bolsonarismo, como Santa Catarina e Rio de Janeiro.
O ex-parlamentar, porém, não considerou em sua argumentação o aumento do comparecimento às urnas entre os dois turnos. Mais de 128 milhões de eleitores votaram na segunda etapa, ante cerca de 125 milhões no primeiro turno. A abstenção caiu de 21,08% para 19,2%.
A contestação do resultado já havia sido feita por Eduardo em um vídeo publicado em inglês nas redes sociais, no qual pediu que a comunidade internacional não reconhecesse a vitória de Lula e pressionasse pela anulação do pleito.
Permanência nos Estados Unidos
Questionado sobre a possibilidade de parlamentares democratas tentarem dificultar a permanência dele e do irmão nos Estados Unidos, Eduardo afirmou que não teme medidas dessa natureza. Segundo ele, sua situação migratória e a de Flávio e de seus familiares são legais.
O ex-deputado também comparou a situação da família Bolsonaro à de mulheres que deixam o Irã para escapar de restrições impostas pelo regime local. Para ele, enviar pessoas de volta a países que considera autoritários seria incompatível com a defesa das liberdades individuais.
“Você realmente protege a liberdade? Respeita o Estado de Direito ou quer uma ditadura chinesa em sua terra natal?”, questionou.
Ao ser perguntado diretamente se considera o Brasil uma ditadura, Eduardo respondeu afirmativamente. Ele citou o receio de parlamentares de abordar determinados assuntos no Congresso por causa da possibilidade de censura e mencionou o caso do ex-deputado Daniel Silveira, condenado pelo STF após ameaças e ataques a ministros da Corte.
Movimento bolsonarista
Ao final da entrevista, Eduardo afirmou que o movimento bolsonarista continua forte, apesar da derrota eleitoral de Flávio. Ele mencionou a influência do grupo no Congresso, a eleição de governadores aliados e a existência de articulações internacionais como fatores que, na avaliação dele, mantêm o grupo politicamente relevante.
“Não acabou. Perdemos oficialmente pelo menos esta eleição, mas vamos continuar trabalhando com toda a energia para resgatar nosso país. Nunca vamos desistir”, afirmou.
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