Eduardo Bolsonaro ironizava petistas por “fobia” da PF
Falas de 2016 do deputado federal contrastam com as de 2025
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi indiciado pela Polícia Federal por coação no curso do processo contra seu pai, Jair Bolsonaro (PL), e vem reagindo com virulência contra agentes envolvidos em ambas as investigações, apelidados por ele de “cachorrinhos”.
Mas, em março de 2016, quando exercia seu mandato no Brasil e surfava na onda da Operação Lava Jato, Eduardo zombava dos petistas na Câmara, atribuindo a eles uma “fobia” dos “meus colegas” da PF.
“Está aí o motivo por que podemos andar tranquilos, e não só em manifestações de rua, mas em qualquer lugar, em qualquer restaurante. Eu posso dizer tranquilamente que eu sou Deputado Federal que eu não sou vaiado. Ninguém pode colocar o dedo na minha cara como eu o coloco agora na cara de Vossas Excelências, que estão sendo investigados por meus colegas policiais federais.
Talvez seja isto: grande parte do PT está sofrendo de ‘policiafederalfobia’. Só pode ser isso. Estamos aqui na nossa, e eles vêm para cima de nós!”, disse Eduardo no dia 18 daquele mês.
Oito dias antes, em 10 de março de 2016, ele já havia dito que, “agora, a esquerda está tremendo, para não dizer que está se borrando”.
“O presidente Lula também está com muito medo da Polícia Federal. Falam aqui que ele está sendo perseguido e que ele se dispõe a prestar qualquer tipo de esclarecimento, mas, quando a equipe da Polícia Federal chegou ao seu apartamento, ele tentou mostrar a sua pompa de ex-presidente, afirmando não saber do tríplex nem de nada. É o velho método de mentir. Sem a mentira, o PT e a esquerda não existem.”
Ironias do destino
Mais de nove anos depois, o presidente Lula (PT) é quem zomba da tornozeleira eletrônica de Jair Bolsonaro, exibindo sua meia escocesa colorida, enquanto Eduardo, lá dos Estados Unidos, tenta intimidar os agora “coleguinhas” da PF.
“Vai lá, coleguinha da Polícia Federal, cachorrinho da Polícia Federal que está me assistindo. Não deixa eu saber, não, hein, irmão. Se eu ficar sabendo quem é você, ah, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal do delegado Fabio Shor se ele conhece a gente. O couro é duro”, disse o deputado federal licenciado, em live de 20 de julho de 2025.
“Recebo com indignação mais essa covarde tentativa de intimidação aos servidores policiais”, reagiu o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, naquele mesmo domingo.
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