Eduardo Bolsonaro ataca ex-FAB após fala sobre apoio a Lula
O ex-FAB Baptista Júnior classificou como “leviandade” acusação de que faria campanha pela reeleição do presidente
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu nesta segunda-feira, 31, ao ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos de Almeida Baptista Júnior após o militar rebater uma declaração de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre um suposto apoio à reeleição de Lula (PT).
Em publicação no X, Eduardo classificou Baptista Júnior como “escória da nossa nação” e afirmou que o ex-comandante “será sempre visto como um sujeito menor”. O ex-deputado também o chamou de “covarde”.
“Você é um covarde que para justificar ser um sujeito pequeno e medíocre chama de tentativa de golpe senhorinhas e pais de famílias protestando contra o regime de exceção”, escreveu.
O embate começou após Flávio afirmar, durante a sabatina do Jornal Nacional, na sexta-feira, 28, que Baptista Júnior estaria fazendo campanha pela reeleição de Lula. A declaração ocorreu quando o senador foi questionado sobre os depoimentos do ex-comandante da FAB e do então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Baptista Júnior respondeu que desconhecia a origem da afirmação e apontou duas possibilidades: o conteúdo de seu livro Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista, que será lançado em setembro, ou seu depoimento na Ação Penal 2668, no STF.
O militar classificou a declaração de Flávio como “leviandade” e afirmou que ela teria servido para evitar uma resposta sobre as discussões envolvendo uma possível ruptura institucional no fim de 2022.
“A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la — algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir”, escreveu.
Baptista Júnior também sugeriu que Flávio leia seu livro antes de fazer novas declarações sobre sua atuação durante o fim do governo Jair Bolsonaro.
“Talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista”, afirmou.
Leia mais: Ex-chefe da FAB chama de ‘leviandade’ fala de Flávio sobre apoio a Lula
Relatos ao STF
Baptista Júnior comandava a FAB no fim do governo Bolsonaro e afirmou ao STF ter resistido a pressões para que os militares aderissem a medidas de exceção.
Segundo o ex-comandante, reuniões realizadas naquele período discutiram uma minuta com propostas para impedir a posse de Lula. Ele afirmou ter se recusado a receber uma cópia do documento.
O militar também relatou que Freire Gomes teria advertido Bolsonaro de que poderia ser preso caso insistisse em uma ruptura institucional. Segundo Baptista Júnior, o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, colocou tropas à disposição do plano.
Entrevista ao Meio-Dia em Brasília
Na última quarta-feira, 26, Baptista Júnior participou de entrevista exclusiva ao Meio-Dia em Brasília, de O Antagonista. Na ocasião, afirmou que a hierarquia militar não poderia ser usada como justificativa para uma eventual ruptura institucional no fim de 2022.
Para o ex-comandante, a lealdade dos militares deveria estar submetida à Constituição.
“Quem não estava apoiando o golpe estava cumprindo a hierarquia, só que era hierarquia do respeito à Constituição”, declarou.
Baptista Júnior também rejeitou a interpretação de que a recusa dos militares em cumprir uma determinação presidencial representaria falta de lealdade ou concordância com todos os atos do governo.
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