Ex-chefe da FAB contraria tese de obediência a Bolsonaro em 2022
O ex-comandante da FAB também critica tentativa de usar a lealdade militar como argumento para uma ruptura
A hierarquia militar não poderia ser usada como justificativa para uma eventual ruptura institucional no fim de 2022, segundo o ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos de Almeida Baptista Júnior. Em entrevista exclusiva ao Meio-Dia em Brasília, de O Antagonista, nesta quarta-feira, 26, ele afirmou que a lealdade dos militares deveria estar submetida à Constituição.
A declaração ocorreu ao comentar a atuação do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e as discussões que envolveram os comandantes das Forças Armadas nos meses que antecederam a posse de Lula (PT).
“Quem não estava apoiando o golpe estava cumprindo a hierarquia, só que era hierarquia do respeito à Constituição”, afirmou.
Baptista Júnior também rejeitou a ideia de que a eventual recusa dos militares em atender a uma determinação presidencial significaria falta de lealdade ou alinhamento com todas as ações do governo.
“Não é questão de liderança”
O ex-comandante citou um discurso feito por Bolsonaro em 9 de dezembro de 2022, quando o então presidente afirmou que as Forças Armadas iriam para onde ele quisesse.
Na avaliação de Baptista Júnior, a questão não poderia ser tratada como um teste de liderança do presidente.
“Não é questão de liderança, questão de lei, né?”, disse.
Segundo o militar, a obediência dentro das Forças Armadas precisa respeitar os limites estabelecidos pela legislação e pela Constituição.
Ele também afirmou que discordar de uma ruptura não significa concordar com eventuais problemas do governo ou com ações de autoridades.
“Você não coadunar um caminho golpista quer dizer que você está concordando com tudo de errado que está. Não”, declarou.
Lealdade à Constituição
Baptista Júnior afirmou ainda que a ideia de que os militares deveriam seguir uma orientação política por respeito à hierarquia representaria uma distorção do princípio militar.
“Quem faz isso está tentando criar um bode expiatório, talvez, para justificar a sua vergonha”, afirmou.
O ex-comandante também avaliou que uma ruptura institucional dependeria de uma liderança capaz de mobilizar as Forças Armadas, algo que, segundo ele, não existia naquele momento.
“Um atalho desse, um golpe desse exige primeiro liderança. E eu não acredito que houvesse essa liderança no general Braga Netto, por exemplo, para levar o Exército”, afirmou.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)