“Economia global perde”, diz Haddad sobre tarifas de Trump
Ministro da Fazenda, porém, afirmou que a decisão do governo americano não é exclusiva ao Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lamentou a decisão do presidente americano, Donald Trump, de impor tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio.
“A avaliação é de que medidas unilaterais desse tipo são contraprodutivas para a e melhoria da economia global, a economia global perde com isso, com essa retração, com essa desglobalização que está acontecendo“, disse o ministro.
Segundo Haddad, a medida imposta pelo governo americano não é exclusiva ao Brasil.
“Nós estamos acompanhando, primeiro para saber as minúcias da decisão, entendendo quais implicações isso vai ter. Porque não é uma decisão contra o Brasil, é uma coisa genérica para todo mundo, estamos observando as reações do México, China e Canadá”, afirmou.
Em 2024, o Brasil foi o segundo país que mais exportou aço aos EUA.
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Cautela
Nesta segunda-feira, 10, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o Brasil deve ter cautela, pois os EUA têm um “pequeno superávit sobre o Brasil“.
“É uma relação equilibrada, é um ganha-ganha. Eles até têm um pequeno superávit sobre o Brasil. Vamos aguardar ainda essa questão da taxação. Da outra vez que isso foi feito, teve cotas, então vamos aguardar. A nossa disposição é sempre a de colaboração, parceria em benefício das nossas populações“, disse.
Segundo Alckmin, o país está “aberto ao diálogo“.
“Olha, vamos aguardar, porque nós acreditamos muito no diálogo. Isso já aconteceu antes, mas houve cotas, foram estabelecidas cotas. A parceria Brasil-Estados Unidos é equilibrada, é um ganha-ganha, nós exportamos para eles, eles exportam para nós’, afirmou.
Estratégia de Trump
No programa Meio-Dia em Brasília, o economista VanDyck Silveira explicou a estratégia adotada pelo republicano.
“Politicamente, ele (Trump) está corretíssimo, uma vez que os Estados Unidos são o país que menos coloca barreiras tarifárias para a compra de produtos importados“, disse o economista VanDyck Silveira no programa Meio-Dia em Brasília.
“Se a gente pensar em reciprocidade, a média de tarifas que os Estados Unidos cobram de produtos brasileiros é algo em torno de 2%. O Brasil, pela mesma toada, taxa os produtos americanos em 14%. Ou seja, o Brasil não tem razão de reclamar“, diz Silveira.
“A única alternativa para o Brasil é baixar suas tarifas e chegar em uma relação mais equilibrada com os Estados Unidos. O Brasil, vale lembrar, é um dos países com as maiores tarifas do mundo, principalmente em relação a produtos americanos“, diz o economista.
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