Dirigente de entidade montou organização criminosa, diz relator da CPMI do INSS
Afredo Gaspar classificou uso do direito ao silêncio por Igor Dias Delecrode no colegiado como "tapa na cara do povo brasileiro"
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), disse nesta segunda-feira, 10, que Igor Dias Delecrode, que atuou como dirigente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (Aasap) e de outras entidades investigadas por suspeita de descontos indevidos, montou uma “organização criminosa“. Além disso, o apontou como “o coração tecnológico da safadeza“ envolvendo descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Delecrode presta depoimento à comissão. Entretanto, ele não fez o compromisso de dizer a verdade e compareceu com um habeas corpus que lhe garante o direito ao silêncio nas perguntas que podem levar à sua autoincriminação. Dessa forma, deixou de responder a diferentes perguntas do relator. Entre elas, qual a relação dele com seis empresas de tecnologias, incluindo a Power-Bi.
“Esse é um silêncio que é um tapa na cara do povo brasileiro. Ninguém aqui está perguntando se ele desviou dinheiro, ninguém aqui está fazendo essa afirmação, ninguém aqui está fazendo pegadinha para ele. Perguntei a ele qual a relação dele com seis empresas, que ele é o sócio-administrador. Quem é o empresário sério brasileiro que não tem orgulho de falar das suas empresas? Quem é o empresário sério brasileiro que não quer falar sobre o sucesso dos seus empreendimentos?”, falou o relator.
O depoente também não respondeu se é o proprietário dessas empresas. Segundo Gaspar, a Aasap arrecadou 63,2 milhões de reais com descontos associativos entre 2022 e 2025, e Delecrode “conseguiu colocar suas empresas num desvio, juntando outras entidades, de 1,4 bilhão de reais“.
“A diferença no Brasil é que se esse rapaz chegasse sem paletó e gravata na delegacia e estaria lá com um delegado iria ser preso em flagrante por organização criminosa, bastava isso. Já ia preso, como milhares são. Mas esse rapaz engravatado aqui tem milhões de reais. Esse rapaz conseguiu uma Justiça que o brasileiro comum não consegue”, criticou o relator.
“O STF está transformando a Justiça brasileira em dois degraus: degrau dos pobres e degrau dos endinheirados. Esse rapaz montou uma organização criminosa. E a organização criminosa está aqui. O cérebro dela é a Power-Bi. A Power-Bi, da cabeça dele, que não tem informação em TI, mas é um interessado, como ele disse, ela andou em três núcleos criminosos”.
Ainda de acordo com o deputado, a Power-Bi prestou serviços para diferentes entidades investigadas por suspeita de descontos indevidos. A empresa trabalhava com um sistema de coleta de dados e verificação de autenticidade.
“Juntando tudo que ele [depoente] participou, mais de 1,4 bilhão de reais. Se esse Brasil fosse sério, esse elemento estaria preso. Vem para cá para debochar, com habeas corpus para não sofrer qualquer tipo de constrangimento”, declarou Gaspar.
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