Direita supera esquerda no Brasil, aponta Datafolha
Levantamento mostra reversão no perfil ideológico no eleitorado do país três anos após avanço da esquerda em 2022
Uma pesquisa do Datafolha revela que a direita voltou a se sobrepor à esquerda na preferência ideológica dos brasileiros, encerrando um ciclo iniciado em 2022, quando o campo progressista liderava.
O levantamento, feito nos dias 17 e 18 de junho com 2.004 eleitores em 139 municípios, aponta 44% dos entrevistados classificados à direita ou centro-direita, 39% à esquerda ou centro-esquerda e 17% no centro político.
Maior variação está em pautas de comportamento
Segundo o Datafolha, a matriz ideológica não parte de uma autodeclaração direta do entrevistado, mas da combinação de respostas a dezesseis perguntas — dez sobre comportamento e seis sobre economia — que tratam de temas como posse de armas, criminalidade, religião e papel do Estado.
O deslocamento mais expressivo ocorreu no eixo comportamental, onde a direita passou a somar 52% das posições, ante 29% da esquerda. Em 2022, esse bloco estava tecnicamente empatado, com 39% e 42%, respectivamente.
Chamam atenção as respostas sobre pobreza: a parcela que atribui a condição à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar” quase dobrou, de 22% para 40%, enquanto a visão de que a desigualdade decorre da falta de oportunidades caiu de 76% para 58%, ainda que continue majoritária.
Também cresceram o apoio à posse legal de armas, que foi de 35% para 41%, e a defesa de que adolescentes infratores sejam julgados como adultos, de 65% para 70%. Em sentido inverso, a aceitação da homossexualidade pela sociedade recuou de 79% para 72%.
Economia segue com vantagem para a esquerda
Diferentemente do comportamento, o eixo econômico manteve predominância de posições associadas à esquerda, com 46% de adesão, contra 28% da direita — queda em relação aos 50% registrados quatro anos antes.
As respostas econômicas, contudo, não seguem padrão único. A fatia que considera que depender menos do governo melhora a vida chegou a 65%, o maior índice da série histórica, e metade dos entrevistados prefere pagar menos impostos e recorrer a serviços privados de saúde e educação.
Ainda assim, 71% defendem que o Estado deve ser o principal responsável por investimentos e crescimento econômico, e 56% avaliam que a legislação trabalhista protege mais os trabalhadores do que prejudica as empresas.
A pesquisa também identifica diferenças por gênero e religião. Entre os homens, 50% estão à direita e 33% à esquerda; entre as mulheres, o quadro se inverte, com 44% à esquerda e 37% à direita. Evangélicos concentram maior identificação com a direita (52%), enquanto entre católicos direita e esquerda aparecem em empate técnico, com 43% e 39%.
O resultado atual, apurado durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inverte o cenário observado em 2022, sob a gestão de Jair Bolsonaro (PL), quando a esquerda somava 49% e a direita, 34%.
A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Nos recortes por grupos específicos da população, essa margem é maior. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)