“Dinheiro privado”, diz Flávio a jornalista
Senador foi questionado por repórter sobre áudio a Vorcaro após agenda com o presidente do STF
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 13, após ser questionado por jornalistas sobre o áudio enviado ao banqueiro Daniel Vorcaro em que pedia financiamento para o filme Dark Horse.
A declaração ocorreu após um encontro do parlamentar com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.
“[Risada após a pergunta inaudível] Ah, irmão. Pelo amor de Deus, aí não dá. Obrigado. Jornalistas, bom trabalho. Pelo amor de Deus, não tem sentido isso. Dinheiro privado, dinheiro privado, dinheiro privado”, afirmou o senador antes de deixar a coletiva.
O áudio
O site The Intercept Brasil divulgou um áudio nesta quarta, 13, em que o pré-candidato à Presidência cobra o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, por pagamentos destinados à produção do filme “Dark Horse” que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o senador, havia receio de que a produção acabasse dando “calote” no ator Jim Caviezel, protagonista do filme, além do diretor Cyrus Nowrasteh e demais profissionais estrangeiros contratados.
Eis a íntegra da transcrição do áudio, gravado e enviado por Flávio em 8 de setembro de 2025.
“Irmão, preferi mandar um áudio aqui para você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis das nossas vidas, né? Não sei como vai ser tudo daqui para frente, como tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. Você eu sei que tá passando por um momento dificílimo aí também. Essa confusão toda, né. Você sem saber como vai caminhar isso tudo…
E, apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né. Imagina a gente dando calote num Jim Cavieziel [ator principal], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme]… os caras renomadíssimos no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim. Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir nesse filme pode ter o efeito elevado a menos um aí, cara.
Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel… Porque a gente precisa saber o que que faz da vida, cara, porque já tem muita conta para pagar esse mês, e o mês seguinte também. E agora que é reta final a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos, porque se não a gente perde tudo, cara. Todo o contrato. Perde ator, diretor, perde equipe, perde tudo. Se puder me dar um toque aí, irmão, abração.. fica com Deus.”
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