“Dilma Bolada” nega autoria de fake news sobre Flávio e Nossa Senhora
Jeferson Monteiro diz que publicação foi interpretada como uma afirmação que ele não fez
O publicitário Jeferson Monteiro, criador do perfil de humor petista Dilma Bolada, negou neste sábado, 26, ser o autor de uma notícia falsa segundo a qual Flávio Bolsonaro (PL) pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
“Tentativa de construir uma narrativa e manipular esse debate”, disse Jeferson à Folha. “Nunca daria uma declaração falsa”, acrescentou.
Como mostramos, a campanha de Flávio apontou a conta do publicitário no X como responsável pela primeira publicação sobre o tema e levou o caso ao Ministério Público Eleitoral.
Jeferson confirmou ser o dono do perfil, mas contestou a interpretação feita pela equipe do candidato.
Ele disse que suas manifestações contra a retirada do título se referiam a propostas feitas pela “extrema direita no passado” e que “hoje encontram respaldo em diversas vertentes extremistas”.
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Como surgiu a fake news?
A publicação de Monteiro, feita na noite de quarta-feira, 23, dizia:
“Católico não vota em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil. Tudo com Jesus. Nada sem Maria. E Bolsonaro na cadeia!”.
Segundo ele, o texto era uma manifestação política, não uma afirmação de que Flávio pretendia retirar o título.
A fake news ganhou força no dia seguinte após a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, mencionar “um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos” que estaria tentando destituir Aparecida da condição de padroeira.
A emissora depois se retratou e reconheceu que a informação se baseava em um projeto de lei arquivado há quase 20 anos.
A proposta foi apresentada em 2007 pelo então deputado Victório Galli (MT) e pretendia substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O projeto acabou arquivado em 2008 após parecer do relator Átila Lira, que apontou “total falta de amparo constitucional”.
A campanha de Flávio afirma que mais de mil publicações foram retiradas do ar por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O monitoramento apresentado pela equipe também identificou publicações que continuaram associando o candidato à suposta retirada do título.
Um dos conteúdos citados pela campanha teve mais de 2,4 milhões de visualizações. A equipe também apontou publicações de influenciadores que mantiveram a narrativa mesmo após a retratação da GloboNews.
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