Flávio pede prisão de servidor da Secom por fake news de Nossa Senhora Aparecida
Advogados do senador acusam George Marques de estimular a divulgação de conteúdo falso mesmo após o desmentido e decisão do TSE
A defesa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao Ministério Público Eleitoral a prisão preventiva de George Marques da Silva e Silva, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência.
Segundo os advogados, o servidor compartilhou publicações que incentivavam a disseminação de uma informação falsa sobre Flávio e Nossa Senhora Aparecida.
A representação afirma que Marques não apenas republicou o conteúdo, mas ajudou a estimular sua circulação mesmo após a informação ter sido desmentida e após uma decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinar a remoção das publicações.
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Pedido de prisão
Entre os conteúdos compartilhados por Marques estava uma mensagem que orientava os usuários a ignorar a retratação sobre o caso e continuar espalhando a informação falsa, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
“Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles [bolsonaristas] fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Inclusive com ajuda de uma TV [Jovem Pan]. Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte.”
A publicação foi apagada posteriormente.
A defesa de Flávio afirma que a exclusão deve ser investigada e pede a preservação dos registros das redes sociais de George Marques, incluindo conteúdos removidos.
Os advogados também citam outras republicações atribuídas ao servidor, entre elas uma mensagem que dizia que “a igreja católica está sendo perseguida no Brasil por Flavio Bolsonaro”.
Outra publicação comemorava supostos efeitos eleitorais da narrativa:
“Muita gente que dizia votar em Flávio mudando o voto. Temos que aumentar a pressão. Conversar com todos os eleitores católicos. Temos um mote e uma chance real de liquidar a fatura no primeiro turno.”
A notícia-crime pede investigação por divulgação de informação sabidamente falsa durante o período eleitoral, incitação ao crime e associação criminosa.
A defesa também solicita a apreensão do computador e do celular de Marques e a identificação de outros possíveis envolvidos.
Caso a prisão preventiva não seja decretada, os advogados pedem, como alternativa, o afastamento do servidor das funções públicas e a proibição de usar redes sociais.
A fake news
Circula nos últimos dias a intriga de que o senador Flávio Bolsonaro teria o plano de tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil caso eleito presidente.
A fake news ganhou tração nas redes sociais entre os críticos do filho 01 de Jair Bolsonaro após ser endossada por Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor e comentaria da GloboNews, durante programa da emissora na noite de quinta-feira, 24.
“Tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar a Nossa Senhora de Aparecida da condição de padroeira, que pode, sim, surtir efeito entre os católicos a favor do Lula”, disse Fernandes no programa GloboNews Em Pauta.
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Desmentido
Mais tarde, no Edição da Meia-Noite, a informação foi desmentida com um pedido de desculpas.
Flávio reagiu ao desmentido em suas redes sociais:
“Globo News se retratando pela MENTIRA de que haveria um ‘movimento’ para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O projeto SEQUER EXISTE! Fiquem espertos, pois a máfia do pt vai espalhar várias mentiras ao longo de todos os dias até as eleições.”
Alguns opositores do senador seguem disseminando a informação falsa mesmo após o desmentido, na expectativa de desgastá-lo com o eleitorado católico.
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