“Desmentido por instituição estrangeira séria”, diz Flávio sobre Lula
Senador criticou o governo Lula após Departamento de Estado dos EUA rejeitar hipótese de ação militar em território brasileiro
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) comentou nesta terça-feira, 7, a manifestação do Departamento de Estado dos Estados Unidos que rebateu a hipótese levantada pelo Itamaraty sobre uma possível ação militar americana após os Estados Unidos classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Em declaração ao jornal O Globo, um porta-voz do órgão afirmou que a interpretação do governo brasileiro é “absurda” e ressaltou que os Estados Unidos têm atuado para combater essas organizações, que também operam em território americano.
Na avaliação de Flávio Bolsonaro, é “preocupante que o Itamaraty atue como um órgão de desinformação e mentira petista”. Segundo ele, o PT usaria a “narrativa de medo” na campanha presidencial.
“Vergonhoso que o governo lula seja desmentido por uma instituição estrangeira séria. Foi necessário o Departamento de Estado dizer o óbvio, para a mentira não virar narrativa de medo na campanha petista. A classificação do PCC e do CV como grupos terroristas não gera nenhum risco para o Brasil, exceto para os bandidos brasileiros”, escreveu Flávio no X.
“Alegações vagas”
No comentário, a autoridade americana acrescentou que “alegações vagas” sobre uma suposta intervenção militar costumam “servir de pretexto para auxiliar e dar respaldo a alguns dos grupos mais violentos do mundo”.
A manifestação do governo brasileiro foi assinada pelo ministro Mauro Vieira em resposta a um pedido de informações do deputado Evair de Melo (PP).
“A designação pode servir para que autoridades estadunidenses apliquem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas, empresas ou organizações brasileiras, inclusive contra aquelas sem vínculos diretos com os EUA ou cuja ligação com os grupos designados seja indireta ou meramente involuntária”, afirma o chanceler.
“Adicionalmente, tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquela país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiros, migratórios e penal. Finalmente, há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, completou.
Segundo Vieira, a “referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal.”
“Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional“, diz o ministro.
Organizações terroristas
Com a entrada em vigor da medida, PCC e CV passam a integrar a lista de organizações terroristas estrangeiras mantida por Washington, o que permite uma atuação mais ampla de órgãos americanos de contraterrorismo e inteligência.
Na prática, a classificação abre caminho para o congelamento de ativos sob jurisdição americana, restrições migratórias e sanções contra pessoas, empresas ou instituições que sejam identificadas como financiadoras ou apoiadoras das facções.
Pela legislação dos EUA, o conceito de apoio material é amplo e pode abranger recursos financeiros, serviços e assistência logística.
Leia mais: Itamaraty vê risco de “uso da força militar” dos EUA após decisão sobre PCC e CV
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Comentários (1)
André Miguel Fegyveres
08.07.2026 19:08Mauro Vieira e seu antecessor, Celso Amorim, são extremamente míopes em matéria de relações internacionais. Demonstram ser cegamente fiéis ao Lula e não têm opinião própria. São adornos caríssimos em cargos estratégicos, incompetentes, de baixo Q.I., não servem pra nada.