Deputado quer moção de repúdio a Lula e a escola de samba por desfile na Sapucaí
O parlamentar ressalta que das alas da Acadêmicos de Niterói, que foi rebaixada, representou evangélicos em uma “lata de conserva”
O deputado federal Allan Garcês (PP-MA) protocolou nesta quinta-feira, 19, na Câmara, dois requerimentos de moção de repúdio ao presidente Lula (PT) e à escola de samba Acadêmicos de Niterói pelo desfile que homenageou o petista com um samba-enredo eleitoreiro no domingo, 15, na Marquês de Sapucaí.
Um dos requerimentos foi apresentado na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, e o outro, na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família.
Na justificativa dos pedidos, o parlamentar ressalta que, durante o desfile, uma das alas da escola representou evangélicos em uma “lata de conserva” com o desenho de uma família formada por pai, mãe e duas crianças.
“Um dos figurantes aparece com adereço que representa a Bíblia. Na descrição oficial da escola de samba Acadêmicos de Niterói é identificado o grupo como neoconservadores, ao lado de representantes do agronegócio, de mulheres de classe alta e de defensores da ditadura militar, os quais se opõem ao Presidente Lula”.
Segundo o deputado, “a representação em ato público e de grande repercussão na sociedade transmitido para todo o Brasil e para outros diversos países, consistiu na equiparação visual de fiéis evangélicos a objetos enlatados, em narrativa depreciativa associada a rótulos ideológicos, expondo ardilosamente e de forma grave, um grupo religioso específico a escárnio coletivo perante audiência nacional e internacional”.
Essa prática, afirma Garcês, é contrária à fé cristã e aos valores da família e configura crime de preconceito equiparado ao racismo, que consiste em ato de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
“Além do que, tais ações configuram verdadeiro ultraje ao culto, definido pelo ato de ‘escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa’, afetando dolosamente a fé cristã e aos bons costumes defendidos pelos cristãos”.
Garcês pontua ainda que, no desfile, foram exibidas também figuras associadas a evangélicos e mulheres brancas, ultrapassando “os limites da sátira e atingindo diretamente a fé cristã e os valores familiares“.
Para o parlamentar, é “inadmissível o uso de verba pública, pela Escola de Samba e pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para ridicularizar de forma pejorativa a igreja evangélica, como se os seus membros fossem o escárnio da sociedade”. O deputado salienta que o governo federal teve conhecimento prévio do “escárnio a que seria submetida a família cristã”.
Os requerimentos de repúdio ainda precisam ser votados pelas comissões.
Escola de samba rebaixada
A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, na quarta-feira, 18.
O samba-enredo da escola foi denominado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O desfile desagradou vários setores da sociedade por homenagear Lula e por representar evangélicos em fantasias de “latas de conserva“.
Ele teve alas que representaram greves operárias, programas sociais e episódios ligados à prisão e à posterior anulação das condenações de Lula. Alegorias trouxeram referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), representado como um palhaço com trajes de presidiário.
A letra reproduziu gritos de militância do PT e mencionou, em dois momentos, o número de urna do partido.
Lula acompanhou o desfile de um camarote da Prefeitura do Rio, ao lado de ministros e do prefeito Eduardo Paes (PSD). A primeira-dama Janja, inicialmente prevista para o último carro alegórico da escola, não desfilou; seu lugar foi ocupado pela cantora Fafá de Belém.
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