Deputado denuncia interferência do STF na política do Maranhão
Em pronunciamento na Câmara, deputado Aluísio Mendes relaciona atuação dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes a episódios da crise política local
O deputado federal Aluísio Mendes (Republicanos-MA) levou à tribuna da Câmara dos Deputados uma série de questionamentos sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal em processos relacionados ao Maranhão.
Em pronunciamento no plenário na semana passada, o parlamentar afirmou que o Estado vive uma situação de “interferência absurda e ilegal no processo eleitoral” e pediu que o Congresso Nacional e a imprensa acompanhem o que classificou como uma escalada de decisões com reflexos sobre a disputa política estadual.
“Se tivesse acontecido em qualquer outro Estado da Federação, como Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, estados maiores, seria um dos maiores escândalos desse país”, declarou.
Um dos principais alvos do pronunciamento foi o ministro Flávio Dino, ex-governador do Maranhão, ex-senador e ex-deputado federal. Mendes relacionou a atual atuação do ministro à ruptura política entre o grupo de Dino e o governador Carlos Brandão.
Segundo o deputado, decisões e processos no STF passaram a produzir efeitos sobre personagens diretamente envolvidos na disputa política estadual. Ele citou, entre outros episódios, as ações relacionadas à escolha de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA).
Instabilidade política no Maranhão
Mendes também afirmou que aliados de Dino difundem reiteradamente a possibilidade de Brandão não concluir o mandato. Para o parlamentar, esse ambiente estaria provocando instabilidade política no Estado.
“Por que isso? Pelo medo, pelo pânico de serem perseguidos”, afirmou ao questionar o silêncio de integrantes das bancadas estadual e federal.
O deputado disse considerar que o próprio pronunciamento poderia colocá-lo sob risco de investigação e mencionou o inquérito das fake news.
“É impossível conceber que o ministro do Supremo Tribunal Federal possa ele julgar um desafeto, um adversário político”, declarou.
Aluísio Mendes também levou à tribuna o caso do homicídio de João Bosco Sobrinho Pereira, ocorrido no edifício Tech Office, em São Luís, em 2022, e questionou os desdobramentos posteriores da investigação.
O autor confesso do homicídio, Gilbson Cutrim Júnior, foi condenado pelo Tribunal do Júri em 2024 a 13 anos, 1 mês e 15 dias de prisão. Após progredir para o regime semiaberto, passou a divulgar vídeos com novas acusações contra o governador Carlos Brandão, familiares e aliados políticos.
Para Mendes, a questão ultrapassa Carlos Brandão ou qualquer grupo político específico e envolve os limites institucionais da atuação do Judiciário.
“São esses fatos que hoje acontecem no Maranhão, que parecem passar ao largo da mídia nacional, passam ao largo do Congresso Nacional e que nós não podemos mais aceitar”, concluiu.
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