Deputado cobra explicações sobre contato de advogado de Lulinha com diretor da PF
Alberto Neto cita episódio em janeiro deste ano e manifesta preocupação em relação à independência da Operação Sem Desconto
O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) protocolou nesta terça-feira, 25, na Câmara, um requerimento para que o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, preste informações sobre eventual contato entre o advogado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O parlamentar quer informações também sobre denúncias de vazamento de informações relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura o esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.
O deputado pede que o ministro diga, entre outros pontos:
- Se o Ministério da Justiça e Segurança Pública pode confirmar a ocorrência de contato direto, em 8 de janeiro de 2026, à margem de evento oficial em Brasília, entre o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, e o diretor-Geral da PF;
- Quais protocolos internos da Polícia Federal regulam o contato entre autoridades policiais responsáveis pela condução de investigações em andamento e advogados de partes ou investigados, de modo a preservar a imparcialidade e o sigilo dos procedimentos;
- Se foi instaurada apuração interna ou correicional sobre as denúncias públicas de vazamentos seletivos de informações do inquérito que menciona Lulinha no âmbito da Operação Sem Desconto, feitas pelo próprio advogado de defesa ao diretor-geral da PF; e
- Quais medidas o Ministério da Justiça e Segurança Pública adotou ou pretende adotar para garantir a independência, a isenção e a transparência na condução da Operação Sem Desconto.
Em 8 de janeiro deste ano, pouco antes da cerimônia alusiva aos atos de 8 de janeiro, em Brasília, o advogado Marco Aurélio de Carvalho teve uma conversa reservada com Andrei Rodrigues, na qual pediu que instaurasse uma investigação sobre o vazamento de citações ao filho de Lula nas apurações sobre os descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.
“Posteriormente, a condução do inquérito foi transferida da unidade original para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), mudança que motivou requerimento de convite ao Diretor-Geral da Polícia Federal para prestar esclarecimentos à Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados”, diz o deputado na justificativa do requerimento de informações.
“Diante do interesse público na integridade e na imparcialidade das investigações conduzidas pela Polícia Federal, especialmente quando envolvem familiares de autoridades públicas, torna-se imprescindível que o Ministério da Justiça e Segurança Pública preste esclarecimentos que permitam ao Poder Legislativo exercer sua função fiscalizadora sobre a condução do caso”.
O parlamentar prossegue: “Sendo a fiscalização uma das funções típicas do legislador, faz-se necessária a aprovação deste requerimento de informações para obtenção de dados suficientes a respeito da atuação do Poder Executivo, a fim de se assegurar a efetividade das leis ou, se assim for necessário, tomar medidas para que sejam implementadas de forma eficiente e transparente”.
O requerimento aguarda a Mesa Diretora da Câmara designar um relator para analisá-lo. Ele só será enviado ao ministro após parecer favorável do relator.
Reclamações
Nesta terça-feira, Marco Aurélio reclamou tanto ao ministro da Justiça como a Andrei, sobre os vazamentos de informações dos inquéritos que miram Lulinha.
“Não vi nada parecido. Não tem precedentes nem na história da finada Operação Lava Jato. Precisamos tirar o rosto de processo. Se acontece algo assim com o filho do presidente, quem dirá o que pode ocorrer com outro cidadão qualquer?”, disse o advogado a O Antagonista.
Ele relatou ao ministro e a Andrei que está muito preocupado com os vazamentos e pediu informações sobre o andamento dos inquéritos instaurados para apurar essa divulgação não autorizada dos dados. Marco Aurélio pretende conversar sobre os episódios também com os ministros Flávio Dino e André Mendonça, relatores dos inquéritos sobre Lulinha no STF.
“Eu acho que essas quatro autoridades, em especial, o diretor-geral da PF, o ministro da Justiça e os dois ministros relatores dos três inquéritos que tramitam no STF são as maiores vítimas desses vazamentos criminosos e clandestinos que comprometem, inclusive, o próprio resultado das investigações”, pontuou à reportagem.
“Nós temos uma experiência, inclusive, em relação a isso, com a nulidade da Operação Lava Jato por conta da ação criminosa de um juiz que agiu de forma escandalosamente parcial e também dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato”.
Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negócios envolvendo empresas e órgãos do governo federal. Dois dos inquéritos estão sob a relatoria de Mendonça, e o terceiro, de Flávio Dino. Diversas informações das investigações têm sido publicadas pela imprensa nos últimos dias.
O Ministério da Saúde foi alvo de pelo menos três tentativas do grupo formado por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS“, Roberta Luchsinger e Lulinha de tentar fechar contratos com a pasta do governo federal, registrou a Folha de S.Paulo com base em investigações da PF.
Além da venda de 626 milhões de reais em medicamentos à base de canabidiol, o grupo buscava realizar a entrega de testes rápidos para o diagnóstico para dengue e outras arboviroses.
O contrato de cerca de 1 bilhão de reais previa o fornecimento dos testes por meio de uma importadora com sede em Santana de Parnaíba (SP).
Camilo Antunes, Roberta Luchsinger e Lulinha também teriam negociado parcerias produtivas com a Iquego (Indústria Química do Estado de Goiás S.A.), laboratório público ligado ao Governo de Goiás.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)