Deputadas cobram do Ministério da Defesa planos de voo dos aviões de Vorcaro
Iniciativa ocorre após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informar às parlamentares que não possui os dados
As deputadas federais Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Sâmia Bomfim (Psol-SP), protocolaram na última semana, na Câmara, um requerimento para que o ministro da Defesa, José Mucio, preste informações, no prazo de 30 dias, sobre os voos realizados pelas aeronaves da Prime You, que teve Daniel Vorcaro como sócio até setembro de 2025.
A iniciativa ocorre após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informar às parlamentares que “o processamento, guarda e controle de planos de voo são atribuições do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea)”. A Anac recomendou que as congressistas encaminhassem consulta diretamente ao Departamento.
O Decea é uma entidade do Comando da Aeronáutica, que, por sua vez, é subordinada ao Ministério da Defesa.
Respondendo às deputadas também, a Anac confirmou que a Prime You operou, no período 1º de janeiro de 2021 a 31 de dezembro de 2025, cinco aeronaves e que a empresa possui certificação para táxi aéreo.
No requerimento ao ministro da Defesa, as deputadas querem saber, entre outros pontos:
- Se o Decea possui, para o período 1º de janeiro de 2021 a 31 de dezembro de 2025, os planos de voo apresentados e/ou arquivados referentes a operações das aeronaves vinculadas à Prime You (em caso afirmativo, solicita-se o envio integral dos dados);
- Se o Decea possui, para o período indicado, dados de rastreamento efetivo obtidos por meio de radar primário, radar secundário de vigilância ou sistema ADS-B, que permitam reconstruir a rota efetivamente voada por cada aeronave, em contraposição à rota apenas planejada (em caso afirmativo, solicita-se o envio dos dados); e se
- No período de 2021 a 2025, alguma das aeronaves realizou operações com origem ou destino em aeródromos militares sob jurisdição da Força Aérea Brasileira ou do Exército.
“Daniel Bueno Vorcaro, CEO e principal acionista do Banco Master, operou uma instituição financeira que captou recursos de investidores por meio de CDBs com remunerações de até 140% do CDI, acumulou grave descompasso entre ativos e passivos e foi liquidada pelo Banco Central ao final de 2025, causando prejuízos a aposentados, pensionistas, servidores e pequenos investidores”, ressaltam as deputadas na justificativa do requerimento de informações.
“As apurações criminais em curso envolvem suspeitas de fraude financeira e lavagem de dinheiro. O caso ganhou dimensão institucional pela existência de referências, em material apreendido com o investigado, a interlocuções com autoridades da República”.
Elas prosseguem: “Em investigações de tal natureza, o rastreamento dos deslocamentos físicos do investigado (quais rotas percorreu, em quais datas, com quais escalas, e a partir daí, com quais interlocutores se deslocou) constitui instrumento central de reconstrução de redes de influência e eventuais vínculos ocultos. Os planos de voo e os registros de rastreamento do Decea são, portanto, o principal repositório público capaz de fornecer esses dados de forma documentada e auditável”.
O requerimento de informações já recebeu parecer pela aprovação, do relator designado pela Mesa Diretora da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), na última quinta-feira, 25, e será enviado agora para o ministro da Defesa.
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