“Deplorável”, diz defesa de Tagliaferro sobre denúncia de PGJ
Ex-assessor de Moraes no TSE é acusado de ocultar provas em esquema supostamente liderado por juiz acusado de peculato e organização criminosa
A defesa do ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, classificou como “deplorável” a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) que o acusa, além de outras 11 pessoas, pelos crimes de peculato e organização criminosa.
Segundo os advogados, a acusação carece de qualquer embasamento investigatório e inclui Tagliaferro de forma arbitrária “sem qualquer embasamento investigatório – vez que nunca foi convocado para prestar esclarecimentos em sede policial -, pessoa absolutamente alheia aos fatos”.
Denúncia e esquema
A denúncia tem origem em uma operação conjunta da PGJ e da Polícia Militar, realizada em agosto do ano passado, que apreendeu R$ 1,7 milhão escondidos na casa do juiz Peter Eckschmiedt.
Segundo a acusação, o magistrado idealizou e liderou um esquema de desvio de recursos públicos por meio de decisões judiciais irregulares na 2ª Vara Cível de Itapevi, na Grande São Paulo.
A acusação aponta que o juiz manipulava a distribuição de processos para que determinadas ações fossem julgadas por ele ou por aliados.
Em seguida, o magistrado determinava o arresto indevido de valores – bloqueio de dinheiro sem fundamento legal – que eram movimentados por meio de contas judiciais e, posteriormente, sacados pelos envolvidos no esquema.
O escrevente técnico Luís Augusto Cardoso foi apontado como o “braço direito” do juiz, selecionando os processos de interesse da quadrilha.
Tagliaferro
Segundo a PGJ, Tagliaferro seria o responsável pelos “serviços de forense digital”.
Ele é acusado de realizar “limpezas” nos aparelhos celulares dos envolvidos para ocultar provas.
Investigação
Em maio, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo já havia condenado o juiz Peter Eckschmiedt à aposentadoria compulsória, pena máxima prevista na Lei Orgânica da Magistratura (Lomam).
O suposto envolvimento do juiz surgiu durante uma investigação da Delegacia de Roubos a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Uma instituição financeira alertou os investigadores de que golpistas tinham apresentado na agência uma falsa procuração para sacar dinheiro de uma idosa.
O caso chegou à Corregedoria do TJ, que verificou um total de três execuções judiciais fraudulentas. A apuração disciplinar revelou a participação do juiz, que foi afastado.
Leia também: “Havia um direcionamento de cunho político”, diz ex-assessor de Moraes
Leia mais: Gonet atuou com Moraes fora do rito jurídico, diz ex-assessor do TSE
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)